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Dona de lar ilegal abandonou idosos

Dona de lar ilegal abandonou idosos

Problemas financeiros terão estado na origem da suposta fuga para Espanha

A proprietária de um lar de idosos do Porto Alto fugiu para Espanha, supostamente devido a problemas financeiros. As dez utentes recolheram de urgência a casa de familiares. O espaço funcionava há quatro anos de forma ilegal. A ordem de encerramento nunca foi respeitada.

Edição de 01.09.2004 | Sociedade
A casa de repouso Sol da Lezíria, situada no Alto do Catalão, à beira da Estrada Nacional (EN) 10, no Porto Alto, ficou vazia de um dia para outro. Madalena Costa, que geria o espaço, terá telefonado a uma funcionária cerca das 17h00 de terça-feira (24 Agosto) a dizer que ia a caminho de Espanha e que já não voltaria. Para que as dez utentes, com idades entre os 50 e os 83 anos, não ficassem abandonadas à sua sorte, a funcionária Elisabete Silva, que ali trabalhava há apenas um mês, assumiu as responsabilidades até que as famílias recolhessem as utentes. O que aconteceu no dia seguinte.Problemas financeiros terão estado na origem da fuga, supostamente para Espanha, da dona do espaço que fun-cionava ilegalmente. A casa de repouso tinha a energia eléctrica cortada e o telefone também não funcionava devido a atraso nos pagamentos. A liquidação da renda não estava em dia.Durante quarta-feira, 25 de Agosto, os familiares dos idosos foram alertados para a situação e acabaram por os levar. Uma médica e uma enfermeira do Centro de Saúde de Benavente verificaram o estado de saúde dos utentes para avaliar se poderiam sair sem problemas. Mediram a tensão arterial e nível de glicemia. Perto das 18 horas já a casa estava vazia. Duas técnicas da Segurança Social de Santarém chegaram perto das 15h00 e organizaram a saída das pessoas. O comandante da GNR de Samora Correia, Ramos Pereira, também presente, referia que a acção da sua força se iria limitar a elaborar um auto de notícia e enviar a comunicação para o tribunal. Duas funcionárias ficaram na casa de repouso durante mais de 24 horas. Nesse período tiveram que carregar com as idosas até ao primeiro piso, onde ficam os quartos. Sem energia, o elevador não funcionava e também houve que lavar roupa sem recurso às máquinas. Apesar de ali trabalharem há pouco tempo e notarem alguma instabilidade, as funcionárias foram surpreendidas com a fuga da patroa. Carina Isabel, Alexandra Santos e Elisabete Silva mal tiveram tempo para aquecer os lugares. A primeira ia no terceiro dia de trabalho e as restantes estavam ali há cerca de um mês. Disseram que vão contactar o centro de emprego para verificar se podem beneficiar de subsídio de desemprego.A irmã do proprietário do edifício, Maria de Fátima, zelava pelos seus interesses, uma vez que o familiar está emigrado. “Esta casa está alugada há cerca de cinco anos e a senhora deve quase quatro meses de renda”, explicou a O MIRANTE, acrescentando que o valor da mensalidade é de dois mil euros e que já chegou a receber um cheque sem cobertura referente ao mês de Junho. Maria de Fátima referiu ainda que houve tentativas para que a dívida fosse negociada e paga aos poucos, mas a proprietária da casa de repouso apenas continuava com ameaças de que “o suicídio seria a solução para os problemas com a luz, finanças e ordenados”.Para assegurar que nada fosse retirado do interior da casa, Maria de Fátima dormiu ali de quarta para quinta-feira. Nesse mesmo dia foram mudadas as fechaduras e a irmã do senhorio diz que a hipótese mais provável é vir a alugar a casa a uma pessoa interessada de Salvaterra de Magos.Rosália Gomes, de Santarém, deslocou-se ao Porto Alto na tarde de quarta-feira para ir buscar a sogra de 83 anos. Optou por colocá-la ali há cerca de um ano por ser mais acessível do que na zona de Santarém. Pagava 575 euros de mensalidade. E apontou o dedo à desaparecida. “Medicamentos e fraldas eram à parte. Paguei a mensalidade de Setembro no sábado e soube que esta senhora já levantou o dinheiro e fugiu”, contou a O MIRANTE.Acrescenta ter recebido informações de uma técnica da Segurança Social de Santarém alertando-a para que retirasse a sogra da casa já que podia ser encerrada a qualquer momento. Quanto ao que iria fazer com a sogra, Rosália Gomes disse que a solução mais provável seria a sua colocação num centro de dia, ficando as restantes horas em sua casa. Olinda Maria, de 70 anos, estava na casa de repouso há cerca de seis meses. Em conversa com o nosso jornal disse ter sempre havido boas condições na casa, referindo apenas que não havia papel higiénico e toalhas para a higiene. “Tivemos que nos limpar aos guardanapos”. Já Maria de Lurdes, 82 anos, disse a O MIRANTE que nada fazia prever que a responsável do lar as abandonasse. Residia ali há cerca de ano e meio. Nessa altura vendeu a casa onde vivia e o dinheiro foi todo para Madalena Costa que, além de lhe cobrar uma mensalidade de 195 euros, ainda administrava a sua reforma de 190 euros. “Nunca soube por quanto foi vendida a casa. Nunca nos faltou nada mas não acho bem deixarem-nos abandonados”, lamentou-se.O MIRANTE ligou várias vezes para o número de telemóvel de Madalena Costa para obter uma reacção da proprietária do lar que, no entanto, se encontrava indisponível ou não era atendido.
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