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Grades empatam socorro

Grades empatam socorro

Viatura de emergência médica foi travada inesperadamente numa rua de Almeirim

A tripulação da Viatura Médica de Emergência e Reanimação do Hospital de Santarém teve que parar a marcha de socorro e sair do carro para retirar as grades de ferro que vedavam a passagem numa rua de Almeirim. O obstáculo foi colocado para reforçar a proibição do trânsito nessa artéria durante as noites de Verão.

Edição de 01.09.2004 | Sociedade
A tripulação de uma viatura de emergência médica teve que andar a retirar grades que vedavam o acesso a uma rua em Almeirim para poder socorrer com mais rapidez uma criança vítima de acidente. A situação caricata aconteceu na quarta-feira, 25, por volta das onze da noite, na Rua Dionísio Saraiva. Durante o Verão, a artéria encontra-se fechada ao trânsito diariamente entre as 21h00 e a uma da madrugada. Um facto que não era do conhecimento dos socorristas.A equipa do Hospital de Santarém dirigia-se para a avenida 25 de Abril, onde uma menina de três anos tinha sido atropelada, seguindo pelo trajecto mais curto.O caso foi confirmado pelo coordenador dos enfermeiros afectos à VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) estacionada no Hospital de Santarém. João Nunes disse a O MIRANTE que a viatura circulava em missão de urgência e que ao tentar fazer o percurso da Rua Dionísio Saraiva teve que parar porque a estrada estava barrada com grades. João Nunes confirmou também que os tripulantes da viatura, nos quais se incluía uma médica, tiveram que sair do carro e afastar as grades de ferro, o que fez a equipa perder minutos preciosos. “Quando saímos para uma missão vamos limitados pelo tempo”, sublinhou, acrescentando que situações destas têm influência na rapidez do socorro. “Dois minutos que se perdem podem ser muito importantes”, reforçou. A chegada rápida de um médico ao local do acidente pode ser decisiva entre a vida e a morte. É por isso que as VMER circulam a grande velocidade assinalando a marcha de urgência com sirenes. João Nunes apela para que as autarquias e outras entidades enviem as informações de estradas cortadas para o Hospital de Santarém. “Isso é muito importante para não perdermos tempo”, explicou.O caricato da situação é que as grades de ferro foram colocadas num troço de cerca de 100 metros da rua onde existem duas esplanadas. Em vez de um sinal de trânsito a proibir a circulação entre as 21h00 e a uma da madrugada, a autarquia optou por dar aos donos dos dois estabelecimentos o poder de fechar e abrir a rua com as cancelas. A existência das grades de ferro no meio da rua nem sequer está devidamente sinalizada, já que são pouco visíveis e não há nenhum sinal informativo a dar conta da situação. É frequente ver-se condutores a fazerem travagens bruscas para não baterem nos obstáculos.Para o vereador do Trânsito da Câmara de Almeirim a colocação das grades foi decidida porque os “condutores não respeitam os sinais e se em vez das grades houvesse apenas um sinal de trânsito passavam na mesma”. Questionado sobre o facto dessas situações dizerem respeito à fiscalização da GNR, Pedro Ribeiro desculpa-se com o facto da Guarda não ter meios suficientes. Pedro Ribeiro considera que as grades estão no local por uma questão de segurança. É que a circulação automóvel naquele sítio não deixa descansados os pais das crianças que frequentam o local. Mas há outras esplanadas na cidade, algumas a ocupar parte da faixa de rodagem, como no Parque Lourenço de Carvalho, onde a câmara não teve as mesmas preocupações de segurança. A criança socorrida pela equipa da VMER está internada no Hospital de Santa Maria, encontrando-se livre de perigo. A pequena Tatiana foi atropelada quando correu para a estrada para ir ter com a mãe que se encontrava do outro lado da Avenida 25 de Abril, junto à biblioteca municipal.
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