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“Nunca vi nada de estranho”

Ex-funcionária da Câmara de Tomar desconhecia situações de assédio no gabinete do ex-vereador António Fidalgo

Uma testemunha no processo em que o ex-vereador da Câmara de Tomar António Fidalgo é acusado de assédio sexual, disse que nunca notou nada de anormal no relacionamento do visado com as subordinadas. E admitiu que se pode ter tratado de uma retaliação contra o ex-autarca.

Edição de 01.09.2004 | Sociedade
Uma antiga funcionária da Câmara de Tomar, ouvida pelo tribunal no processo do ex-vereador António Fidalgo, acusado de coacção sexual a quatro subordinadas, afirmou nunca ter visto nada de estranho que a levasse a suspeitar de assédio. Maria Fátima Carvalho chegou mesmo a dar a entender que as assistentes pretendem, com a acusação, vingar-se do vereador por este ser muito exigente com o trabalho. A testemunha trabalhou na divisão de feiras e mercados e da educação, áreas tuteladas por António Fidalgo, durante ano e meio até Agosto de 2002. Durante esse período, afirmou na sessão de 31 de Agosto, chegou a ouvir o vereador exaltar-se por questões profissionais. Por o trabalho não ter sido feito como ele tinha ordenado. Por isso, disse, “se calhar as minhas ex-colegas aguentaram isso até entrarem para o quadro da câmara. Depois devem ter achado que já não queriam ser mandadas por uma pessoa exigente”. Maria Fátima Carvalho, arrolada pela acusação, contou ainda ao tribunal que nunca viu preservativos nas gavetas da secretária do vereador, o que contraria o depoimento das assistentes. A testemunha garantiu que várias vezes, a pedido do vereador, remexeu nas gavetas à procura de documentos e nunca viu nada de estranho. Isso acontecia quando António Fidalgo estava ausente e telefonava para o gabinete à procura de determinada informação. E acrescentou que nessas alturas nunca se deparou com nenhuma gaveta fechada à chave.A exemplo de outras testemunhas, Maria Fátima Carvalho, actualmente desempregada, sublinhou que o ambiente de trabalho no gabinete tutelado pelo vereador era bom. E que havia mesmo um espírito de amizade. Salientou ainda que as atitudes das queixosas no trabalho davam a entender a existência de uma boa relação com António Fidalgo. Dizendo ter ficado boquiaberta quando soube o que se passava pela televisão, a testemunha assegurou que os únicos problemas profissionais tinham a ver com a sobrecarga de trabalho e a exigência do vereador, que queria sempre tudo “impecável”. E quando isso não acontecia “ele chamava-nos à atenção. Às vezes ralhava, mas depois pedia desculpas”, afirmou, acrescentando que via o vereador como uma pessoa calma.Relativamente aos cheiros estranhos várias vezes referidos por assistentes e testemunhas, Maria Fátima Carvalho disse que o arguido por vezes punha incenso a arder para tirar o cheiro a mofo do gabinete. Quanto à viagem que a secretária do vereador e assistente no processo fez a França com António Fidalgo, a testemunha comunicou ao tribunal que ela não mostrou receio em ir sozinha com ele.Para esta sessão estava prevista a audição de outra testemunha através de vídeo-conferência. Mas não foi possível estabelecer a ligação com o tribunal de Cascais, onde estava a testemunha. A próxima audiência está marcada para dia 16 de Setembro. Em Outubro vão decorrer mais três sessões. Nesta altura faltam ouvir seis testemunhas de acusação, passando-se depois às de defesa.

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