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Peregrinos em apertos

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Visitantes de Fátima queixam-se da falta de locais para fazer as necessidades básicas

Os visitantes do Santuário de Fátima vêem-se aflitos para encontrar casas de banho abertas junto aos parques de estacionamento, depois da reitoria ter encerrado alguns sanitários devido a alegados actos de homossexualidade.

Edição de 01.09.2004 | Sociedade
“Ai estou mesmo aflita”, queixa-se Ludovina Sentieiro, colocando as mãos em concha à frente da saia, não vá o Diabo tecê-las. “Nossa Senhora há-de ajudar-me a aguentar a bexiga até encontrar a casa de banho”. De visita ao Santuário de Fátima, Ludovina, que veio de Vila Nova de Gaia, continua a desfiar as suas preces pelo parque de estacionamento nº11, à procura do único sanitário aberto nas redondezas.Com mais ou menos aflição, dezenas de fiéis que visitam Fátima têm sentido dificuldades acrescidas em encontrar casas de banho abertas durante o mês de Agosto. Desde que chegaram à reitoria do Santuário queixas de alegados actos homossexuais praticados no parque n.º 2.O secretário do Santuário desdramatiza a situação. Refere que a decisão de encerrar alguns blocos sanitários não surge no seguimento das notícias vindas a lume na comunicação social, fazendo parte de “um plano de gestão dos parques de estacionamento que já vem de há anos”.“A reitoria entende não ser muitas vezes necessário haver sanitários abertos em todos os parques”, refere António Valinho, admitindo no entanto que algumas vezes o número de blocos sanitários abertos pode não coincidir com a “real necessidade” dos visitantes. E que a questão da homossexualidade veio reforçar a decisão eclesiástica.Depois das necessidades básicas feitas, as preces de Ludovina Sentieiro rapidamente são transformadas em reclamações. “Vem uma pessoa de tão longe para andar num aperto destes. Nossa Senhora com certeza não quer que os seus fiéis sejam tratados assim”.O marido, Joaquim, foi bem mais expedito – “encostou-se a um canto e pronto, que Nossa Senhora perdoa”. Ludovina parece não conseguir acabar uma frase sem clamar pela santa.Como O MIRANTE pôde testemunhar no domingo, vários visitantes optaram por seguir o exemplo do fiel de Vila Nova de Gaia, escondendo o seu “pecado” por detrás das diversas árvores existentes dentro dos parques de estacionamento.Se muitos visitantes se queixam “para dentro” outros não estão com meias medidas e reclamam junto dos agentes policiais da cidade. O comandante da PSP de Fátima confirmou ao nosso jornal que àquela esquadra chegaram algumas reclamações, particularmente no fim-de-semana de 14 e 15 de Agosto, altura da peregrinação dos emigrantes.“É sempre necessário ter alguns sanitários abertos, principalmente em dias em que é previsível uma maior afluência”, referiu o comandante. Quanto à questão dos alegados actos homossexuais nas casas de banho o sub-comissário Cardoso foi peremptório – “Não posso pôr os polícias de turno a vigiar as casas de banho”.Para o comandante da esquadra da PSP de Fátima a questão deve ser resolvida numa base de bom senso. Quando há mais fiéis - como no domingo, dia 22, em que se bateu o número recorde de visitantes – deve haver maior número de sanitários abertos.Sem querer dar a mão à palmatória, António Valinho refere que a reitoria está a fazer um levantamento estatístico sobre o movimento de cada um dos 14 parques de estacionamento existentes em redor do Santuário de Fátima, de modo a melhor poder servir os visitantes. Mas recua um pouco quando admite que a gestão actual talvez esteja a ser “um pouco apertada demais”.O certo é que de acordo com o aviso afixado junto aos sanitários do parque 11, apenas os sanitários da Colunata de Nossa Senhora das Dores, situado no topo do Santuário, estão permanentemente abertos.Os blocos sanitários situados no parque 1 e 11 funcionam das 08h00 às 19h00 e os do parque 4, junto à Basílica e na Praceta de Santo António, a leste do recinto, estão abertos das 08h00 às 22h30.“Os restantes sanitários só abrirão em dias de maior afluência, com horários a afixar na ocasião” pode ainda ler-se no rodapé do aviso.Margarida Cabeleira
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