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Regressado Manuel Serra D’Aire

Edição de 08.09.2004 | E-mails do outro mundo
Acabou-se Agosto, acabaram-se as férias e regressou toda a gente ao meu quotidiano. Regressaste tu, seu maganão, que te fartaste de gozar nas vacances, e regressaram os meus abastecedores de vícios, prazeres e necessidades. Não imaginas as saudades que já tinha dos empregados do meu café favorito, da senhora do quiosque dos jornais, da minha vizinha do quarto andar e até dos políticos que tanto gosto de zurzir. Finalmente regressou a ordem ao meu mundo. Após um mês de veraneação (será assim que se escreve o contrário de hibernação?) toda a gente regressou a casa. As peças de que estava amputado voltaram a reunir-se e o meu puzzle está agora preenchido. Mas já sei que no próximo Agosto vou passar pela mesma angústia, pela mesma sensação de vazio. Não há volta a dar-lhe! Vou ter de mudar de café, vou ter de mudar de quiosque, vou suspirar pelas tiradas dos políticos e orar pela silhueta estonteante da minha vizinha durante 31 longos dias.Confesso que pensei que com o PSD no Governo as coisas iam mudar. Não por qualquer decreto a proibir férias em Agosto, porque eles também as gozam, mas devido à falta de massa na carteira dos portugueses. Lembras-te do Durão Barroso dizer que o país estava de tanga. Pois é! O homem acertou em cheio, não soube foi explicar bem a coisa. De tanga ou de fato de banho de gola alta, estava já tudo preparado para um mergulhinho nas águas algarvias ou nos caldos das praias brasileiras, cubanas ou mexicanas.Pensava eu que o português, teso que nem um carapau, abdicava de férias para ganhar mais algum, mas qual quê?! Faz-se um empréstimo, não se pagam os calotes mas aqueles diazinhos ao sol é que ninguém lhes tira. Nem que tenham de fechar as portas dos estabelecimentos mandando os clientes à mãe durante um mês. Crise? Qual crise! Isso é só quando os jornalistas lhes perguntam como vai o negócio. Nessas alturas, respondem com lamúrias de pedinte que o negócio está mau e aproveitam para mandar umas bordoadas no governo e na câmara.A coisa chegou a tal ponto que, em Santarém, até houve obras públicas paradas porque o empreiteiro e os operários foram trabalhar para o bronze. Pensava eu que era no Verão que essa malta mais dava ao cabedal, para aproveitar o bom tempo, mas enganei-me. A democratização do Agosto também já aí chegou. Se as escolas, os tribunais, a Assembleia da República e milhares de lojas e tascas fecham, porque raio não hão-de os trolhas fazer o mesmo?Meu caro, sei que andaste metido em grandes caldeiradas e que sentiste na pele o que é o assédio sexual por parte de uma marmanjona de sete arrobas. A coisa não está para brincadeiras. Se estivesses em Fátima, pedia a alguém do santuário para te proteger e até abençoar. Mas pelas paragens de perdição por onde andaste não devia haver remédio. Em Fátima, consta, andavam maricas a atacar nas casas de banho junto ao santuário. Uma coisa inconcebível que levou ao fecho de alguns desses locais. Se querem atracar de popa, vão para trás de uma moita e rezem para a polícia não os tope. Cambada! Esta atracção da larilagem pelas casas de banho é realmente doentia e digna de um tratado sociológico. Mas em Fátima ganha contornos de sacrilégio. Admira-me, sinceramente, a complacência de Nossa Senhora perante tão grande ignomínia. Um raio naquela gente que lhe deixasse as nádegas em brasa ainda era pouco.

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