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A farda impõe respeito

Francisco Gomes Catarino, 39 anos, vigilante

Ser vigilante foi profissão que nunca passou pela cabeça de Francisco Catarino, 39 anos, natural e residente em Abrantes. Após cair no desemprego candidatou-se a funcionário da empresa de segurança 2045, S.A., que faz a vigilância na Câmara Municipal de Abrantes. Quatro anos depois de ter iniciado estas funções, o vigilante diz que gosta daquilo que faz e não tenciona mudar de vida.

Edição de 08.09.2004 | Identidade Profissional
Entrou para vigilante, ou mais vulgarmente segurança, por circunstâncias meramente ocasionais. Francisco Gomes Catarino, 39 anos, natural e residente em Abrantes tinha trabalhado na rádio, depois foi vendedor, comercializava cafés e outros produtos alimentícios e estava desempregado quando um amigo lhe sugeriu candidatar-se a vigilante.“A empresa com sede na Malveira tinha aberto uma vaga para vigilante na Câmara Municipal de Abrantes e decidi concorrer”, conta. Embora não fosse um trabalho em que tivesse pensado anteriormente, a ideia agradou-lhe. “Também não estava em altura de escolher muito, quando se é mais novo e se procura o primeiro emprego a situação é diferente. Candidatei-me, já trabalho nesta profissão há quatro anos e gosto daquilo que faço”.Nos paços do concelho, Francisco Catarino e os demais vigilantes têm por função controlar as entradas e encaminhar os munícipes para os serviços em que devem tratar dos assuntos. “Funcionamos como porteiros”, esclarece. E como tal são os primeiros a entrar e os últimos a sair. Começam a trabalhar às 08h30, meia hora antes da chegada dos restantes funcionários, e terminam pelas 19h00. “Temos de chegar primeiro para abrirmos as portas e à tarde é o inverso, temos de deixar tudo fechado”, continua.No início, quando mudou de emprego e deixou um trabalho de vendedor sem horários nem locais fixos, Francisco Catarino notou grande diferença e a alteração exigiu da sua parte algum sacrifício: “No princípio custou-me um bocadinho, depois habituei-me e hoje gosto do que faço, não tenho intenções de mudar”.Apesar da rigidez de horários e dos locais não variarem muito, ou está num ou noutro edifício camarário, o trabalho acaba por não ser tão monótono e rotineiro, como se poderia pensar, porque há sempre pessoas a entrar para apresentarem ou reclamarem os mais variados assuntos.O pior são os que à viva força querem falar com o presidente da câmara, em vez de recorrerem ao sector respectivo, e o vigilante tem de contornar a situação. “Nunca tive problemas. Às vezes insistem mais um pouco, mas sem qualquer transtorno. Pontualmente também pode haver algum rebuliço por ocasião do leilão para os terrados da feira de São Mateus, por exemplo, mas nada que não se resolva com facilidade”.Os funcionários desta empresa de segurança recebem uma formação teórica antes de se iniciarem na profissão, mas não há qualquer outra especialização. A farda faz o resto: “Uma farda acaba sempre por impor algum respeito”. Mesmo quando está no seu posto de trabalho à entrada do edifício dos paços do concelho, Francisco Catarino já tem sido abordado por pessoas que precisam de qualquer informação que nada tem que ver com assuntos camarários: “Vêem-nos fardados e dirigem-se a nós”.Os uniformes são fornecidos pela própria empresa e como se trata de assuntos de segurança têm de ser aprovados pelo Ministério da Administração Interna.Além do trabalho na câmara, Francisco Catarino já tem sido chamado para fazer a vigilância de outros locais, nomeadamente na cidade desportiva de Abrantes: “Isso acontece mais no período de férias ou quando algum dos meus colegas não pode ir trabalhar e é preciso substituí-lo”.A proximidade da residência com o local de trabalho é outra das vantagens focada por Francisco Catarino. Não tem que perder tempo em transportes, ou grandes gastos de combustível. Mas, sobretudo, o vigilante da boina grená gosta daquilo que faz e não tenciona mudar de vida. Margarida Trincão

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