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Comerciantes fartos das obras

Comerciantes fartos das obras

Intervenção já ultrapassou todos os prazos mas deve estar concluída dentro de duas semanas

As primeiras chuvas esgotaram a paciência que restava aos comerciantes da Rua João Afonso, em Santarém. As obras que ali decorrem nunca mais acabam, apesar do prazo previsto para a execução da empreitada já ter expirado há muito. Com o lamaçal veio mais uma vaga de queixas.

Edição de 08.09.2004 | Sociedade
Bastou uma chuva mais forte na tarde de quarta-feira, 1 de Setembro, para a rua João Afonso, em Santarém, ficar alagada. Esta artéria do centro histórico está em obras há cerca de cinco meses. O prazo de execução previsto era de dois meses. Os comerciantes estão fartos da demora, queixam-se de prejuízos elevados e acusam a Câmara de Santarém de falta de comando e planeamento. Da autarquia vem a informação que tudo irá estar concluído dentro de duas semanas. As vítimas da demora esperam para ver.As queixas já não são de agora, mas a forte chuvada que no dia 1 se abateu sobre Santarém precipitou mais uma vaga de críticas. Na rua João Afonso a água não escoou, alagando uma barbearia e impedindo que as pessoas entrassem e saíssem dos estabelecimentos na parte baixa da artéria.Os mais afoitos tiveram que meter os pés na água e abrir regueiras para uma vala, evitando que o “leito do rio” subisse para as lojas. A partir dessa hora ninguém ali transitou. O troço da rua está com terra e gravilha, não havendo qualquer meio de escoamento das águas pluviais. Bastam alguns minutos de chuva intensa para transformar a rua num ribeiro. A situação está a revoltar os comerciantes que há meses aguardam pacientemente pelo fim das obras, que se previa estarem concluídas em dois meses. Até porque os clientes não passam ou voltam para trás quando vêem aquele cenário. Elsa Galvão, da loja Lugar da Flor, na rua Arco de Mansos, não compreende tamanha falta de organização. “A calçada que tinha sido colocada do Teatro Sá da Bandeira para baixo foi entretanto levantada à picareta e de novo colocada. As canalizações à entrada da rua estão por colocar porque os funcionários estão de férias e as obras pararam. Dois engenheiros da câmara deram-me informações contraditórias sobre a passagem de carros na rua”, desabafou a O MIRANTE.A responsável do supermercado Docemel, Natália Fernandes, recordou como, no dia 1, a rua ficou um autêntico rio e intransitável. “Tivemos o dia mais fraco de sempre em termos de vendas”, assegurou, acrescentando que há grande descontentamento pelo facto de as obras de arranjo de uma rua se prolongarem há quase meio ano.Na Casa Marfim, de pronto-a-vestir, mesmo ao lado do supermercado, quarta-feira foi um sufoco. José Fonseca, proprietário, não se encontrava da loja e, quando chegou, deparou-se com um rio autêntico. “Não há escoamento da água, as obras não avançam porque há pessoas de férias. Assim ninguém passa aqui, principalmente as senhoras de saltos, as principais clientes da loja”, comentava.José Fonseca referiu que o que aconteceu na rua João Afonso já levou os comerciantes da rua 1.º de Dezembro - que fica no prolongamento daquela artéria - a pressionarem a câmara para só avançar com uma intervenção naquele local depois do período de Natal. Pouco metros adiante o proprietário do café Porta de Mansos, Jorge Fernandes, disse concordar com a realização de obras para fazer melhorias e reconheceu que há sempre incómodos naquelas situações, mas não compreende como existe tanta falta de comando e coordenação dos trabalhos.“Há pessoas que foram de férias e não se colocam as tubagens. A calçada foi colocada e, entretanto, foi arrancada. Ninguém aqui passa, só mesmo por necessidade. E estamos com quebras de 50 por cento nas receitas”, explicou o comerciante, revelando que o vereador Manuel Afonso esteve no local no dia das chuvas e aventou um prazo de três semanas até ao final das obras. Como se não bastasse, a iluminação nocturna também não satisfaz. Há candeeiros avariados e os poucos que estão ligados são considerados muito fracos. “Nos monumentos fazem tudo mas aqui nada”, advertiuNa rua há mesmo uma papelaria à espera de abrir há perto de um mês, com mobiliário e material no interior, que aguarda pela conclusão dos trabalhos.
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