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Enxurrada de Verão em Alverca

Enxurrada de Verão em Alverca

Chuvas intensas deixaram marcas e prejuízos

As chuvas intensas de quinta-feira, 2 de Setembro, provocaram inundações na cidade de Alverca. O Rio Crós-Crós voltou a transbordar e a água e lama deixaram um rasto de prejuízos. A única novidade é que esta foi uma enxurrada em pleno Verão.

Edição de 08.09.2004 | Sociedade
As fortes chuvadas que caíram sobre Alverca na quinta-feira, 2 de Setembro, provocaram inundações em vários pontos da cidade e deixaram prejuízos em lojas, habitações e garagens. A quinta da Formigueira, na parte alta da cidade e a Quinta das Drogas na zona baixa foram as mais atingidas. O transbordo do Rio Crós-Cós inundou também as avenidas 5 de Outubro e Capitão Meleças, na zona alta de cidade e outras artérias da baixa alverquense.Eram cerca de 13h30 quando uma chuvada intensa caiu de repente sobre Alverca. Rapidamente as ruas se encheram de água, arrastando consigo lama e canas. Um cenário igual em quase todas as artérias da Urbanização da quinta das Drogas, na zona baixa.Mas o principal problema deu-se na parte alta da cidade, na quinta da Formigueira, onde o rio Crós-Cós, que atravessa a cidade, transbordou. A água inundou toda a zona e rapidamente chegou às avenidas 5 de Outubro e Capitão Meleças, bem como à rua José dos Santos. A GNR interveio de imediato bloqueando o acesso àquelas artérias e permitindo a movimentação dos Bombeiros de Alverca e da protecção civil na limpeza das ruas e do leito do rio, cheio de detritos. João Graça, proprietário de uma oficina de bate-chapa que partilha um muro com a margem esquerda do rio Crós-Cós (linha de água que atravessa a cidade e a EN10), foi um dos mais prejudicados. O empresário e mais três funcionários passaram o resto do dia com a mangueira de pressão e as vassouras a retirar a água e lama do estabelecimento, onde os carros dos clientes estavam parqueados. A partir das 13h30, altura em que a chuva começou, os problemas nunca mais acabaram. “O leito subiu e transbordou o muro como nunca tinha acontecido. Não há manutenção da vala, o local é apertado e, com a grelha de protecção, acumulam-se detritos e a água sobe rapidamente”, explicou a O MIRANTE. João Graça recordou que em Novembro último aconteceu algo parecido mas nunca viu um cenário igual em 30 anos.Também Luís Ferreira foi apanhado de surpresa com a enxurrada. Trabalha como electricista numa empresa das imediações da rua 5 de Outubro e viu como a sua carrinha comercial, estacionada em frente ao rio, apanhou um banho de lama.Algo suja no interior, com as jantes e tampões cheios de lama restos de canas, o essencial não foi danificado e, após rodar a chave, ouviu-se o som do motor. Que alívio! “É uma problema cíclico e quando chove de repente, sucede sempre o mesmo”, referiu.Nas traseiras da oficina e de um bloco de apartamentos, duas rectro-escavadoras retiraram milhares de canas e troncos de árvores de grande dimensão do leito do rio para um camião. Os trabalhos prolongaram-se pela noite fora. O coordenador do Serviço Municipal de Protecção Civil, Miranda Marmelo, referiu a O MIRANTE que, apesar da intensidade da chuva que caiu, o principal problema é a falta de cultura das pessoas proprietárias de terrenos a montante da zona onde o leito do rio passa a ser coberto. Alguns moradores deitam todo o tipo de detritos na linha de água. “As pessoas deitaram canas e troncos de árvores de grande dimensão para o rio e criou-se uma zona de entupimento junto à barreira e toda a água soltou-se”. A barreira foi colocada após as últimas inundações pelo Instituto Nacional da Água para suster os resíduos, mas deveria ser limpa periodicamente e, segundo os moradores, não tem sido.Para agravar a situação, existem ainda 12 tubagens da EDP e 14 da PT que servem de obstáculo e ajudam a fazer de tampão. A Câmara já solicitou às entidades responsáveis o desvio dos tubos.Em comunicado, a Câmara de Vila Franca de Xira refere ter apresentado uma queixa contra desconhecidos na GNR de Alverca. Os militares estiveram no local a recolher provas para apurar responsabilidades.
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