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Não há quem lhe pegue

Edifício do centro de dia de Além da Ribeira, Tomar, continua ao abandono

O Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Santarém continua empenhado em pôr o centro de dia de Além da Ribeira a funcionar. Mas parece ser o único interessado. Não há quem se chegue à frente e queira fazer a gestão do espaço, há quase 15 anos abandonado.

Edição de 08.09.2004 | Sociedade
As gentes de Além da Ribeira, concelho de Tomar, parecem não se entender. Todos se lamentam mas ninguém quer pegar no edifício construído há quase 15 anos para funcionar como centro de dia e há quase 15 anos abandonado.O director da Segurança Social de Santarém não entende porque é que ninguém avança, se até há dinheiro disponível. António Campos não desarma e diz que continua empenhado em pôr o equipamento a funcionar. Até porque o organismo que dirige enterrou ali mais de 125 mil euros ao longo dos anos.Mais do que triste, esta é uma situação estranha. Porque geralmente a desculpa para nada se fazer é a falta de verbas. Neste caso são os potenciais futuros utilizadores do espaço que parecem não querer o equipamento. Só assim se entende a dificuldade em arranjar um grupo de pessoas para avançar com o projecto.O padre da freguesia, que há cerca de oito anos tentou pegar no projecto, ainda hoje procura parceiros entre as gentes da aldeia. Mas o fracasso e o desnorte da comissão que em 1989 foi constituída para iniciar a construção do edifício ainda hoje faz recuar muitos.Há um ano, em conversa com O MIRANTE, o padre Mário mostrava-se convicto de que o centro estaria a funcionar no início de 2004. Esta semana o nosso jornal tentou contactá-lo para um comentário sobre o assunto mas até à hora de fecho desta edição tal não foi possível.O director da Segurança Social diz que o pároco tem feito o possível para que as coisas andem. Mas sozinho não é fácil.É o próprio Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social que mais tem batalhado pela abertura do centro. Além do centro de dia a entidade até já estuda outras opções para poder rentabilizar o espaço. E, quem sabe, despertar o interesse da população. Ao nosso jornal António Campos afirmou que outras valências, como a criação de um ATL de apoio às crianças da freguesia, poderia também funcionar no edifício. Um edifício doado na década de 80 por um casal de idosos, que pensou ali passar os seus últimos dias. Afinal Pedro da Silva e a esposa acabaram por falecer num lar de uma aldeia vizinha. Sem verem o resultado da sua doação ser desperdiçado sem mais nem menos.Quando o centro de dia de Além da Ribeira finalmente for inaugurado, muitos dos equipamentos que hoje ali se mantêm já não deverão funcionar. Frigorífico, arca congeladora, fogão de inox, máquinas de lavar roupa e loiça. Equipamento topo de gama há oito anos embalado em plástico e cartão. Não por falta de dinheiro, mas por falta de vontade.Margarida Cabeleira

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