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Aclamado Serafim das Neves

Edição de 15.09.2004 | E-mails do outro mundo
Se o porco assado no espeto que o presidente da câmara de Santarém, o senhor Rui Suspensórios Barreiro, ofereceu à população da Ribeira, no dia da inauguração das obras de requalificação da freguesia, tivesse sido servido antes dos discursos, não tinha havido vaias nem apupos. E a explicação é simples. Quem é que pode vaiar e apupar com a boca cheia de comida?Já sei que me vais dizer que houve quem não tivesse comido febras, por uma questão de contestação. E que essa rapaziada estaria sempre de boca feita para umas palavras de ordem ou para uns dichotes. É evidente que sim. Mas a culpa continua a ser do organizador da festa. A carne de porco tem muita gordura. É um perigo para a saúde. O vaiado deveria ter mandado servir carne de aves, ou peixe grelhado. Costeletas de novilho também serviam. Assim levou com os assobios dos que não gostam de inaugurações de obras mal feitas e com os apupos dos que têm colesterol elevado. Isto para não falar do pessoal que não gosta de comer de prato na mão. Um bom serviço, como sabes, é essencial.Serafim, o episódio das vaias na Ribeira de Santarém é também elucidativo no aspecto médico. O autismo de alguns políticos está a acentuar-se. Acentua-se na directa proporção das asneiras cometidas. O presidente camarário de Santarém jura a pés juntos que não ouviu assobios nem apupos. Só aplausos. Faz lembrar aqueles jogadores de futebol que chutam a bola para dentro da baliza depois do árbitro ter assinalado o fora de jogo. Alegam que não ouviram o apito porque estava muito barulho no estádio. Rui Barreiro também pode alegar que a tocata do rancho já tinha atacado um fandanguinho picado. E todos nós sabemos o barulho que faz um abano a bater na boca de um cântaro. Não há apupo que se oiça. Em Tomar, o pai de uma criança de oito anos terá insultado uma professora e por causa disso o miúdo foi impedido de frequentar os tempos livres com os seus colegas. É grave castigar uma criança pelo comportamento do pai. Mas é muito mais grave que a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), mande arquivar o inquérito que abriu na sequência de denúncia da situação, legitimando o castigo. Por aqui se vê que os educadores em Portugal não brincam em serviço, nem permitem que se brinque com a sua distinta honorabilidade. Quem as faz paga-as. E se não paga quem as faz alguém há-de pagar por ele. Nem que seja uma criança. Não há crime que fique impune no sistema educativo nacional. Estamos sempre a aprender, cum carago!!!E tu vê lá se te portas bem, não vá o teu filho ser impedido de comer sobremesa no refeitório da escola. E sobretudo não chames nomes aos políticos. Se o sistema de justiça da DREL se torna extensivo às câmaras municipais ainda nos põem as crianças a trabalhar na recolha do lixo aos fins de semana.No Entroncamento lá anda a rapaziada das políticas a reboque dos abaixo-assinados. Primeiro o executivo municipal proibiu o estacionamento na rua António Lucas, uma zona que o município quer ver livre de carros. Duas ou três semanitas depois chegou um abaixo-assinado com o choradinho de lojas a falir por causa da falta de estacionamento e a oposição, que está em maioria, revogou a proibição. Agora, segundo sei, anda a correr outro abaixo-assinado e a curiosidade sobre a possibilidade de nova alteração é compreensível.Esta coisa da derrocada do comércio ser provocada pela criação de zonas pedonais é algo que me intriga. É no Entroncamento, em Almeirim, Em Abrantes, em Torres Novas, em Santarém. De cada vez que se criam espaços para podermos andar nas calmas a ver as montras e a fazer compras sem sermos atropelados, zimba! Vem logo um abaixo-assinado promovido por comerciantes a reivindicar carros. Raios! O que eu não percebo é porque continua a andar tanta gente nos grandes centros comerciais?? Será que ainda haveria mais pessoal se deixassem circular automóveis nas escadas rolantes do Colombo ou do W-Shopping em Santarém?? Um abraço acelerado doManuel Serra d’Aire

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