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Um regresso às origens

Um regresso às origens

Guilherme Rodrigues Galinha, presidente da Junta de Valhascos há dois mandatos
Edição de 15.09.2004 | O poder local aqui tão perto
Nasceu em Valhascos, estudou nas Mouriscas (concelho de Abrantes), fez duas comissões em África, foi funcionário público e quando atingiu a idade da reforma voltou às origens. Guilherme Rodrigues Galinha, o presidente da Junta de Freguesia de Valhascos há dois mandatos, eleito pelo PSD, é um homem que gosta da sua aldeia e de continuar a cultivar a terra herdada dos pais.“Ando sempre por aqui, se não tenho trabalho da junta, trabalho na agricultura é disso que gosto”, diz. Em sua casa há de tudo um pouco, fruta e legumes, cereais e carne. “Só vou ao mercado para comprar peixe e agora como já estou velho gosto mais de peixe do que de carne”. Fala com ar bem disposto e pouco dado a grandes complicações burocráticas.Eleito pelo PSD, diz que não tem nada que ver com políticas. Antes da ganhar a junta fez um mandato como secretário, também pelo PSD, e depois até os do PS votaram nele. “Nas terras pequenas é assim, olha-se mais para as pessoas do que para os partidos. E não é para me gabar, não sou dos melhores, mas também não sou dos piores”.Quando estava no activo, era funcionário das finanças. Recusou sempre os convites para cargos políticos. Depois reformou-se e aceitou. “O meu trabalho é mais na rua ou na representação da freguesia. O resto é para os mais novos”, continua. E cita o velho provérbio de que “galinha de campo não quer capoeira”.O executivo, todo PSD, reúne-se três vezes por semana, às terças, quintas e sextas. Tomam-se as decisões e cada um executa as suas tarefas. Actualmente, há uma funcionária colocada pelo Centro de Emprego para atendimento ao público.Numa freguesia pequena e confinada a uma única povoação, a actividade do presidente é ir resolvendo os problemas com a maior rapidez. “Chamam-me para todo o lado e como conseguimos comprar uma retroescavadora vamos, logo que é possível, consertar uma ruptura aqui ou ali. Há sempre muita coisa que faz falta, mas nada de especial”.Casado e pai de uma filha que vive no Entroncamento, Guilherme Galinha divide os dias entre a junta e a agricultura. “Em casa é que não posso estar”. É dos poucos da aldeia que ainda apanha os figos e gosta de fazer o seu próprio vinho e uns garrafões de abafado. “Tenho uma sobrinha que não me pede nada nem quer nada, a única coisa que quer é uma garrafão de abafado”.“Há muita gente de Valhascos que fez como eu. Quando se reformou voltou para a terra, já somos todos velhos”, continua. Na pacatez da aldeia, o autarca quer continuar a ser agricultor, mas vai deixar as políticas para os outros: “Ficam cá os novos, eu já estou velho”, diz despedindo-se destas lides no final do actual mandato.
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