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A “seca” da Ponte da Asseca

A “seca” da Ponte da Asseca

Trânsito entre Santarém e Cartaxo condicionado desde Julho devido a obras que ainda não começaram

Fazer o percurso entre Santarém e o Cartaxo pela Estrada Nacional 3 é uma dor de cabeça para os automobilistas. O Instituto de Estradas de Portugal condicionou o trânsito na ponte de Asseca há mês e meio, mas estranhamente as obras ainda não começaram

Edição de 15.09.2004 | Sociedade
Os automobilistas que circulam na EN 3 entre Santarém e o Cartaxo podem contar com, pelo menos, mais seis meses de condicionamento do trânsito junto à Ponte da Asseca. O estrangulamento naquele troço a meio caminho entre Santarém e Vale de Santarém começou em 29 de Julho, quando o trânsito passou a ser feito alternadamente em cada sentido. Alegadamente por causa de obras que até à data ninguém viu e que só devem começar em Outubro. A partir daí começou o calvário que todos os dias leva muitos automobilistas ao desespero. As filas são o prato do dia, sobretudo nas chamadas horas de ponta.A sinalização vertical colocada antes do local a avisar para o condicionamento do trânsito na ponte só serve a quem conhece bem as estradas da zona. Sobre alternativas possíveis à EN 3 para quem circula entre Santarém e Cartaxo não existe qualquer informação. E sem ela muita gente acaba por engrossar desnecessariamente o caudal de tráfego que ali desagua.O MIRANTE testou a fluidez na EN 3 na tarde de sexta-feira. A saída de Santarém deu-se às 15h15. Uma hora pacífica em termos de trânsito. A marcha corre normalmente até às cercanias da ponte da Asseca. Aí há cerca de 200 metros de fila até ao semáforo, instalado no início da ponte.Os semáforos, nas extremidades da ponte e no cruzamento que dá acesso à Póvoa da Isenta, pinos de plástico e alguns de cimento, além de algumas barreiras a estreitar a passagem a uma faixa de rodagem, são os sinais do condicionamento de trânsito. Mas não se vê qualquer movimentação de homens e máquinas.Cada semáforo dá cerca de um minuto para a passagem dos carros, que aceleram rapidamente. Cerca de duas dezenas de carros passam de cada vez, mas com camiões e tractores, é tudo muito mais lento e o tempo de espera aumenta. E é bom não esquecer que estamos em plena campanha agrícola.Perto das 15h30, 15 minutos depois da saída de Santarém, finalmente cruzamos a ponte onde, do lado contrário, há cerca de 100 metros de fila. Se o automobilista tem o azar de encontrar tractores pelo caminho, a juntar aos semáforos no Vale de Santarém, só quase em Vila Chã de Ourique vê o tráfego desanuviar. Dali até ao Cartaxo é um instante. O resultado é 12 quilómetros cumpridos em 25 minutos. Mas estávamos a meio da tarde de um dia de semana. Há quem desespere ali muito mais diariamente.No regresso a Santarém, cerca das 17h30, quando parte das pessoas começa a sair dos empregos, o trânsito agudiza-se, começando a encalhar quando a EN 3 segue paralela à linha férrea. O pára-arranca é constante e irrita muitos condutores.Manuel Oliveira era o primeiro da fila no sentido Cartaxo-Santarém. Com a sua camioneta vinha de Lisboa e seguia a caminho de Pernes. Quanto ao tempo de espera, o condutor referiu que era conforme as horas a que passava no local mas lamentava-se, principalmente, com a inexistência de obras. “Não há sinal de ninguém a trabalhar aqui”, observou.Rogério Luís, que saiu do Cartaxo e dirigia-se a Santarém, não escondia o seu desagrado pelo tempo de espera junto aos semáforos. “É uma vergonha. Perdemos sempre aqui meia hora, pelo menos. No princípio ainda apareceram as máquinas e fizeram perfurações mas, até hoje, não vimos mais nada”, assegurou. Em seu entender uma solução passaria sempre pela construção de uma nova travessia da ribeira de Asseca.Contactado por O MIRANTE, o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) esclarece que as medidas de restrição ao tráfego foram tomadas por razões de segurança, sem especificar quais. No que respeita à intervenção prevista para a ponte, o Gabinete de Comunicação e Imagem do IEP informa que o projecto prevê a reabilitação da Ponte da Asseca, empreitada a executar por ajuste directo com início em Outubro e com seis meses de prazo de execução.
A “seca” da Ponte da Asseca

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