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A terra onde as escolas não chegam para as encomendas

A terra onde as escolas não chegam para as encomendas

Entroncamento cada vez mais jovem reclama apoios do poder central

Escolas básicas com mais de duzentas e cinquenta crianças, população jovem superior à população idosa, perspectivas de crescimento demográfico acima dos trinta por cento. O Entroncamento é a cidade mais jovem do Distrito de Santarém e luta pela abertura de novos estabelecimentos de ensino enquanto outros vão encerrando escolas. O vereador João Fanha fala de problemas que poucos autarcas enfrentam.

Edição de 15.09.2004 | Sociedade
O Entroncamento é a única cidade do Distrito de Santarém onde a percentagem da população jovem é superior à da população idosa e é também a única onde o Ministério da Educação vai ter que abrir escolas em vez de as encerrar. Com 18. 000 habitantes (número oficial), as perspectivas de crescimento demográfico para os próximos 10 anos apontam, numa previsão moderada, para os 30 por cento. Uma situação original na região, que coloca desafios diferentes dos habituais aos seus autarcas.João Fanha, vereador responsável pelos sectores da educação e juventude, está consciente do trabalho que a câmara municipal tem pela frente, mas sabe que nem tudo o que há a fazer depende do poder local. “A câmara, em conjunto com a junta de freguesia, tem feito um trabalho inatacável. Arranjos nas escolas, renovação de mobiliário, criação de condições para professores e crianças. Agora estamos a criar uma sala multimédia na escola nº 1. Tudo o que depende de nós está a ser feito, mas estamos a correr atrás do prejuízo, como se costuma dizer. Não estamos a dar continuidade a um trabalho que viesse de trás porque não havia nada feito”.“O prejuízo” de que fala o autarca tem a ver com a falta de planeamento e de resposta ao crescimento verificado na última década. “Durante vários anos não foram tomadas as medidas adequadas para suportar o aumento da população jovem. Atamancou-se. Não temos um único jardim de infância construído de raiz, por exemplo. A construção mais recente ao nível do ensino tem cerca de 30 anos e é a Escola Secundária”, explica.A carta educativa do Entroncamento, já aprovada pela DREL (Direcção Regional de Educação de Lisboa) aponta para uma duplicação de equipamentos ao nível do secundário e do 2º ciclo. Mais uma escola em cada uma das duas freguesias que resultaram da divisão da actual, Nossa Senhora de Fátima (N) e S. João Baptista (S). Actualmente existe uma Escola Secundária na Zona Norte e um 2º ciclo a Sul. Em termos de jardins de infância, para suprir as necessidades vai ser necessário criar mais dois a Norte e um a Sul.O Entroncamento tem quatro escolas públicas do 1º ciclo, mas não são escolas de dez ou 20 alunos. São grandes escolas. Duas delas com mais de duas centenas e meia de crianças. Cerca de setecentas no total. Novecentas se tivermos em conta os alunos que frequentam duas escolas privadas. Jardins de infância são oito, três públicos e cinco privados. Seiscentas crianças. O total da população escolar da cidade, incluindo o secundário e o ensino profissional, ultrapassa largamente os 3.500 estudantes. E continua a haver procura ao nível do pré-escolar.Uma escola 1,2,3, (Os três ciclos de ensino) chegou a ter financiamento garantido, mas acabou por não ir em frente. “O executivo anterior (maioria PS) não teve bom senso nem habilidade para lidar com a situação”, diz o vereador. O entrave residia na posse do terreno onde a escola será construída. O novo executivo resolveu o problema do terreno, mas deparou-se com novos entraves. “Já não existia financiamento e o projecto vai ter que ser reformulado por causa das alterações a introduzir na Lei de Bases.”“A nova Lei, que ainda não foi aprovada, não permite a ligação entre os segundo e o terceiro ciclo. Estamos num impasse. Vamos reformular o projecto mas não sabemos quando é que o mesmo poderá avançar”, explica João Fanha. O dilema da Escola 1,2,3, que depois de ter o projecto reformulado de modo a ter 1º ciclo, 2º ciclo e pré-escolar vai ter que aguardar financiamento, é semelhante ao projecto já aprovado para um novo jardim de infância. “Temos tudo pronto mas falta dinheiro. O Estado tem que apoiar a construção deste tipo de equipamentos e não tem verbas. Nós também não temos capacidade para avançar sozinhos e os Quadros Comunitários de Apoio estão encerrados para estas situações.
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