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“Acredito que o meu filho esteja vivo”

“Acredito que o meu filho esteja vivo”

Empresário de Samora Correia desapareceu há dez anos em circunstâncias por apurar

A mãe do empresário de automóveis de Samora Correia, desaparecido há 10 anos, não acredita que o filho esteja morto. No terreno continua a Polícia Judiciária para saber o que terá acontecido a João dos Santos Lopes, no dia 3 de Novembro de 1994.

Edição de 15.09.2004 | Sociedade
Volvidos 10 anos sobre o misterioso desaparecimento de um empresário de automóveis de Samora Correia, tudo continua por esclarecer. Apesar de ainda haver quem acredite que João Lopes, conhecido por “cem à hora”, terá ido para o estrangeiro – versão também defendida pela mãe do empresário – a investigação da Polícia Judiciária (PJ) aponta desde o início para a hipótese de homicídio e há mesmo um suspeito. Para Maria Albertina Santos, o filho ainda está vivo. “Não acredito que o meu filho tenha sido corroído com ácido ou enterrado em cimento”, como foi tornado, recentemente, público num órgão de comunicação nacional. “Não há nada que aponte para esse facto”, referiu. A idosa relatou-nos uma história de um amigo, a viver no Brasil, que lhe terá dito o ano passado: “Quem sabe se o João não estará a viver perto de mim…”. E este ano conta que foi visitada por uma mulher que lhe terá dito que tinha um filho de João Lopes. A referida pessoa, a viver no estrangeiro, ter-lhe-á dito que não estava ali por interesse, era apenas para que o neto, hoje com 20 anos, conhecesse a avó”. Maria Albertina diz que achou a situação muito estranha. “Por que motivo, dez anos depois, terá aparecido aquela mulher a dizer-me aquilo”, questionou a idosa.Recorde-se que João Lopes desapareceu, sem deixar rasto, no dia 3 de Novembro de 1994. As suspeitas recaíram sobre um empresário da construção civil, na altura residente em Samora Correia, hoje a morar em Tavira. O principal suspeito tinha alegadamente uma dívida de muitos milhares de euros a João Lopes por conta da venda de uma casa. O desaparecimento do empresário esteve desde o início envolto num grande mistério. A sua companheira, Luísa Borrego, participou à GNR local e no dia seguinte, foi alugado um helicóptero para procurar João Lopes. Foram igualmente feitas buscas nos rios Almansor e Sorraia. Mas, o corpo acabou por nunca ser encontrado. Só passados dois dias, o seu jipe foi encontrado por três amigos seus, num dos parques subterrâneos do aeroporto da Portela. Contrariamente a várias versões tornadas públicas, o veículo encontrava-se fechado. Segundo conseguimos apurar, um dia antes, um agente da PSP, ao ver que o carro se encontrava aberto, acabou por fechá-lo por questões de segurança. Ao que conseguimos ainda saber, os primeiros a entrar dentro do automóvel de João Lopes no aeroporto foram dois agentes da PJ. O MIRANTE não conseguiu confirmar a versão que dá conta que o mostrador do painel do jipe marcava, na altura em que foi encontrado, 43 quilómetros (distância exacta entre Samora Correia e o aeroporto). Conseguimos apenas saber que, nesse dia, não terá sido utilizado o identificador da Via Verde na passagem das portagens de Sacavém, como era hábito do empresário. Esse é um indício que levou uma das nossas fontes, que pediu o anonimato, a garantir que o carro não terá sido levado para o aeroporto por João Lopes. É que o empresário de automóveis costumava guardar o identificador debaixo do banco do jipe, porque utilizava o aparelho para outros carros. Quem levou o carro não passou pela Via Verde.O MIRANTE tentou falar com Luísa Borrego e Maria João Lopes (filha), mas ambas não se mostraram disponíveis para, neste momento, explicar em que situação se encontra o processo, reaberto pelo Ministério Público em 2001. O empresário deixou vários imóveis, dinheiro e outros bens, mas a família continua impedida de os utilizar ou vender porque o tribunal ainda não considerou João Lopes como presumivelmente morto.Mário Gonçalves
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