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Diques à espera de obras

Promessa de ex-ministro deixada no início do ano em Valada ainda não se cumpriu

As prometidas obras de manutenção nos diques que protegem as populações ribeirinhas do Cartaxo não avançaram. O Inverno está à porta e o presidente da câmara atira-se ao Governo: “O investimento de um milhão de contos acabou por ser apenas uma notícia”.

Edição de 15.09.2004 | Sociedade
Os diques de Valada, no concelho do Cartaxo, que há oito anos não têm qualquer tipo de intervenção, continuam à espera de ser reparados. O alerta foi feito pelo presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Paulo Caldas (PS), na tarde de quinta-feira, durante uma visita que dois elementos do partido Os Verdes fizeram a Valada.O dique da zona do Maltratado, que liga Porto de Muge a Valada, é uma das estruturas que mais sofre o problema da erosão e que menos intervenção tem registado. Está coberto de vegetação e possui vários orifícios.“Em 1979 tivemos uma grande cheia em Valada. Se voltasse a acontecer teríamos danos idênticos aos que aconteceram nessa altura. Vinha tudo por aí fora”, garante o autarca. O dique de Caminho de Meias também se encontra em mau estado, mas Paulo Caldas diz que é sobretudo pelo tratamento incorrecto por parte dos privados.O autarca garante que os diques que protegem a população das cheias apresentam deficiências estruturais, buracos e infiltrações e teme que qualquer dia possa acontecer o pior.Paulo Caldas confessa que se sentiu frustado com a visita do ministro das Cidades, que em Janeiro veio a Valada anunciar a intenção de gastar milhões de euros com a reparação dos diques. “O investimento de um milhão de contos acabou por ser apenas uma notícia”, critica o autarca que há vários meses alerta para o perigo da degradação dos diques da freguesia.A par da reparação dos diques, Paulo Caldas considera que uma das soluções para resolver o problema do isolamento da freguesia de Valada em situação de cheia é a elevação em cerca de um metro da Estrada Nacional 3-2. Para o autarca este é um dos grandes anseios da população da freguesia, maioritariamente idosa. “Mesmo em cheias de grau médio as populações ficam isoladas. E nessas alturas são os tractores da câmara que fazem o transporte das pessoas”, ilustra.Para já está a ser negociada com o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) a desclassificação da estrada e a respectiva beneficiação. O protocolo deverá ser assinado até final do ano e a obra poderá concretizar-se entre 2005 e 2006. O custo da obra deverá rondar o milhão e 500 mil euros, comparticipados em 65 por cento por fundos comunitários e pela autarquia e IEP.O deputado dos Verdes, Francisco Madeira Lopes, que antes de visitar os diques esteve reunido com o responsável do Centro Distrital de Operações de Socorros de Santarém, considera que a situação é preocupante não só em relação aos terrenos agrícolas, como em relação à segurança das populações.“O Centro Distrital de Operações e Socorro de Santarém diz que o dique de Valada não carece de grande obras, tirando obras de limpeza. Mas a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR) já tinha anunciado que o dique de Valada seria um dos diques a merecer obras, o que parece que não está a ser feito”, analisa o deputado, que se prepara agora para colocar estas questões na Assembleia da República.Na altura em que o então ministro das Cidades, Amílcar Theias, visitou Valada a reparação do dique da freguesia foi apontada como uma das grandes prioridades do plano de recuperação gradual dos diques do Vale do Tejo que deveria ser iniciado ainda este ano. Para a limpeza, reparação do revestimento e regularização de taludes do dique de São João, em Valada, foram prometidos 778 mil euros, mas por enquanto a promessa ainda não se concretizou.O nosso jornal contactou o Ministério do Ambiente para saber por que razão as obras ainda não avançaram, mas até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer resposta.

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