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Uma paixão partilhada

Uma paixão partilhada

A maioria dos amantes das alturas compra ultraleves a meias

Ao contrário do que se pensa, a paixão pelas máquinas voadoras não está só ao alcance de alguns. Pelo preço de um carro utilitário já se compra um avião. Muita gente compra-os em grupo e depois partilha-os.

Edição de 15.09.2004 | Sociedade
A aviação ultra-ligeira é um hobby cada vez com mais interessados em Portugal. E, ao contrário do que parece, nem fica demasiado dispendioso. Como diziam alguns dos participantes no II Encontro de ultraleves realizado no domingo em Tomar, “ser caçador fica mais caro”.Um ultraleve de gama média ronda os 15 mil euros, o preço de um veículo utilitário. Depois é mais o aluguer da garagem, as manutenções e o combustível. No campo de voo da Associação Tomarense de Aviação Ultra-Ligeira (ATAUL) o valor a pagar pelo aluguer e utilização da pista é de 75 euros mensais.Este é acima de tudo um desporto de partilha. Partilha do ar, da liberdade e muitas vezes do próprio ultraleve. É precisamente este facto que acaba por tornar a aviação ultra-ligeira num desporto a baixo custo. Carlos Carreira, por exemplo, partilha o seu Quicksilver a dois tempos com João Godinho, o presidente da associação. “É uma forma de rentabilizarmos o investimento”, refere o instrutor de condução.Se na maioria dos casos o custo e a manutenção de um avião se faz a meias, há quem tenha comprado apenas um oitavo de um ultra-ligeiro. O vice-presidente da associação, por exemplo, reparte o “seu brinquedo” com mais sete amantes das alturas.Parece complicado mas para Manuel Carvalho não há coisa mais simples. “Faz-se uma escala com o nome dos proprietários e pronto, hoje voas tu, amanhã voo eu, um vai de manhã, outro à tarde”.Simples. Mesmo quando em vez de oito, existiam dez donos. “E nunca houve qualquer situação de sobreposição”, garante Manuel Carvalho, que gastou cerca de 1500 euros na compra do ultraleve.Para a maioria dos desportistas, voar não tem hora marcada nem agenda definida. Há dias em que uma volta pelo ar liberta do stress profissional, há outros em que se acorda a pensar no voo que não chega a acontecer.Depende muito do estado de espírito, dizem os entendidos. Há quem tire o ultraleve do hangar, vista o casaco e ponha o capacete mas na altura de agarrar nos comandos a vontade fica em terra.Quem quase sempre fica em terra são as famílias. Mulheres e filhos só têm direito a umas voltas de vez em quando. Talvez por, justificam os membros da ATAUL, não terem o “bichinho” necessário para aquele desporto.Quem voa tem geralmente um passado (ou presente) ligado à Força Aérea, como João Godinho, ou desde muito cedo é fascinado pelas máquinas voadoras, como Manuel Carvalho, Carlos Carreira ou qualquer outro dos 42 pilotos vindos de todo o país que no domingo fizeram questão de estar presentes em Tomar.
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