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Irrepreensível Manuel Serra D’Aire

Edição de 21.09.2004 | E-mails do outro mundo
Não sei se já sabes da última do presidente da Câmara de Santarém. Segundo rezam as crónicas, Rui Barreiro admite fazer queixinhas do Governo ao Presidente da República se não houver mais obras do Estado no seu concelho. Na prática, o que o autarca socialista quer é que Jorge Sampaio aplique uma reprimenda ao Governo que o ponha a obrar por tudo o que é concelho de Santarém, da mais afamada praça da cidade à ruela mais esconsa da freguesia mais remota. Só não percebo porque não se queixou a Sampaio, que, como todos sabemos, é unha com carne com este Governo. Pelo menos é o que diz o nosso camarada cassete Carvalhas. Até nisto falta habilidade ao autarca de Santarém. Se tivesse optado por se mascarar de Batman e se pendurasse nos tirantes da ponte Salgueiro Maia ou nas muralhas das Portas do Sol era capaz de ser mais bem sucedido. Para já, tinha a garantia dos directos das televisões e menção certa nos jornais, como aconteceu com aquele pai divorciado em Inglaterra, que se empoleirou na fachada do palácio de Buckingham para chamar a atenção do mundo para o seu drama. E tu bem sabes como o homem gosta de aparecer, seja nas televisões, nos jornais ou nos boletins municipais.E se não tinha um fato de Batman, de Super Homem, de Homem Aranha ou mesmo de Morcego Vermelho, o que é perfeitamente admissível, pelo menos vestisse um fato de campino ou de pescador ou posasse nu para evidenciar a sua indignação. É caso para perguntar o que andam a fazer os assessores de imagem e relações públicas? Para que serve o Orçamento Participativo, se não há uma alma caridosa que lhe diga o óbvio? Que assim não vai lá! Que não é com Sampaio que se apanham moscas! Que os super heróis existem para isso mesmo: para nos ajudar!Manel, de qualquer forma deixa-me dizer que nunca gostei foi de queixinhas. Daquela rapaziada que zunia aos ouvidos do professor na escola primária quando íamos roubar maçãs ao quintal do vizinho, que chorava baba e ranho junto ao pai sempre que levava uma sarrafada a jogar à bola. Daqueles treinadores que quando perdem se queixam sempre dos árbitros. Dos agricultores que estão sempre a queixar-se do clima, ora porque chove, ora porque faz sol. Tenho um azar do caraças a esses Calimeros sem penas, mas também é verdade que neste país o velho ditado do “quem não chora não mama” faz cada vez mais sentido. Um gajo que não se arme de vez em quando em bebé chorão fica a ver navios. Se chorar e mamar ascende à categoria de chico-esperto. Por isso deixei-me de pruridos e decidi escrever também ao Presidente da República a queixar-me de várias injustiças e a reclamar igualdade de tratamento face a outros cidadãos deste país. E nem fui muito sôfrego a pedir. Não quero estradas, esgotos, pontes, centros de saúde, carros na rua e sei lá mais o quê. Os meus pedidos são mais rasteirinhos. Não percebo, por exemplo, porque é que há meia dúzia de gajos neste país que têm a sorte de andar de Maseratti ou Ferrari e eu tenho de me contentar com uma daquelas carripanas que podem ser conduzidas sem carta. Ou porque é que há tipos com a sorte de poderem dormir na mesma cama da Bárbara Guimarães ou da Catarina Furtado e eu, mesmo sem ser músico ou filósofo, tenho de me contentar com a minha Ermelinda, cheia de varizes e com umas mamas mais descaídas que a credibilidade da ministra da Educação ou a qualidade do futebol do Sporting. Senhor Presidente, ponha olhos nisto e dê-me também uma ajudinha!Um abraço do Serafim das Neves

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