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Entre a agricultura e o turismo

Entre a agricultura e o turismo

Valada tem dos melhores solos agrícolas do país mas quer apostar no turismo

A harmonia entre o turismo e a actividade agrícola prometem dias risonhos para a freguesia ribeirinha de Valada do Ribatejo. O complexo de lazer junto ao Tejo e a aldeia avieira de Palhota são dois locais muito procurados pelos visitantes.

Edição de 21.09.2004 | O poder local aqui tão perto
A freguesia de Valada do Ribatejo, no concelho do Cartaxo, está actualmente dividida entre a tradição rural, ligada à agricultura, e as novas oportunidades dadas pelo turismo, com a recente valorização da zona ribeirinha do rio Tejo. Foram criadas várias estruturas de lazer que acolhem alguns milhares de visitantes, sobretudo no Verão, que enchem o parque de merendas e a praia fluvial em busca de sombra e frescura.A construção da marina para a atracagem de barcos e a recuperação do espaço circundante, onde foi criado um enorme parque de estacionamento, foram os últimos investimentos realizados e deram uma nova imagem à zona ribeirinha.Mas ainda há mais por fazer. A construção de um parque de campismo é reclamada pela junta local, que gostava de ver aproveitadas as sombras junto ao campo de futebol relvado para a construção de um parque de campismo, com circuitos pedonais e vias para passeios de bicicleta. A par do parque, faltam locais para os visitantes pernoitarem. Projectos de turismo rural seriam bem vindos, assim como a criação de um pequeno hotel ou pensão.Mas uma visita turística à freguesia de Valada não se esgota na zona ribeirinha. A Palhota, uma antiga aldeia típica de avieiros (pescadores do Tejo que eram originários de Vieira de Leiria) constituída por casas de madeira assentes sobre estacas para protecção contra cheias, é outro dos locais a visitar. Fica a cerca de dois quilómetros da sede de freguesia e mantém ainda muitas das suas características originais apesar da actividade da pesca no rio estar a desaparecer, assim como os seus habitantes.Num esforço para reanimar e recuperar algumas das características da aldeia, surgiu o projecto “Palhota Viva”, criado para promover o desenvolvimento local apoiado na cultura avieira. Recentemente foi feito um cais de atracagem de barcos e foi melhorado o caminho que dá acesso à aldeia, onde também foi melhorada a zona de estacionamento automóvel.Mas Valada ainda não perdeu a ligação ao campo. Nos 42,3 quilómetros quadrados da freguesia estão alguns dos terrenos mais ricos do país. São solos de Categoria A, de grande produtividade, e onde abundam searas de uma enorme variedade de produtos agrícolas.No entanto, a maior parte das pessoas que hoje cultivam aqueles solos já não são da freguesia. A máquina substituiu o homem e já não são necessários tantos braços de trabalho, pelo que a população foi-se fixando pela sede de concelho e na zona de Azambuja, onde a indústria e o comércio permitem empregos mais estáveis. Talvez por isso, em duas décadas, a população baixou de cerca de 2 mil habitantes para pouco mais de mil, uma quebra de quase cinquenta por cento.“Ninguém quer arriscar gastar milhares de euros para construir uma casa num sítio em que depois se ficam quinze ou vinte dias sem poder ir ao trabalho”, explica o presidente da junta, Manuel Fabiano, referindo-se às cheias que frequentemente isolam a freguesia. “A freguesia só crescerá quando a população tiver hipótese de sair de cá em qualquer altura do ano”, acrescenta.Além disso, Valada está dividida entre a Reserva Ecológica Nacional (REN) e a Reserva Agrícola Nacional (RAN), o que torna a autorização para construir muito complicada. A revisão do Plano Director Municipal é fundamental para alterar esta situação. A limpeza dos canais de irrigação e a manutenção dos diques são outras obras reclamadas pela população.Fundamental é igualmente a construção da passagem desnivelada sobre a Linha Férrea do Norte, junto à estação de Santana, que deverá arrancar em 2005. As obras incluem o aumento da cota da estrada, o que permitirá reduzir o tempo de submersão da estrada. A junta pretende também o levantamento da estrada nacional 3-2 que liga Valada a Vale da Pedra, mas para ai ainda não há projecto. A freguesia divide-se por três aglomerados urbanos: Valada, Porto de Muge e Reguengo de Valada. Tem abastecimento de água a cem por cento e o saneamento só não funciona em Porto de Muge, porque ainda não existe ETAR.Na escola primária e jardim infantil, situados na sede da freguesia, há cerca de 40 alunos e para breve está prevista a conclusão do espaço para ATL (actividades de tempos livres), que ficará paredes meias com o centro de dia, que também está em construção mas tem as obras paradas. Valada dispõe ainda de mercado diário, farmácia, multibanco e posto médico.Na freguesia já houve grupo de teatro e rancho folclórico, mas agora apenas estão em funcionamento o Ribatejano Futebol Clube Valadense, que dispõe de um magnífico parque desportivo onde já se realizaram várias finais do Inatel e Grupo Columbófilo, além da colectividade de Porto de Muge, que só funciona como bar e sala de jogos. Nos últimos anos, o maior foco de animação tem sido o Festival do Tejo, um mega-espectáculo musical que durante três dias reúne uma dezena de bandas e vários milhares de jovens de todo o paísA ameaça dos areeirosA presença de unidades de extracção de inertes a poucos metros da zona de lazer e da praia fluvial é vista pelo presidente da Junta de Freguesia de Valada como uma ameaça ao desenvolvimento e projecção turística da freguesia.Embora sem estabelecer uma relação directa entre a extracção de areia e algumas mortes que se verificaram na praia fluvial, o autarca alerta para os perigos de uma actividade que contraria as normas estabelecidas por lei. “Vêm tirar areia em zonas que não deviam e depois criam fundões muito próximos da margem. Quem conhece e estava habituada a ir com água pelo pé até dez metros da margem, depara-se com os fundões e depois acontecem as tragédias”, refere Manuel Fabiano.A junta tem denunciado as situações irregulares às autoridades competentes, que até ao momento têm fechado os olhos às denúncias. “A Direcção Regional de Ambiente não tem capacidade para intervir neste caso. Estou farto de lhes dizer para virem de noite e verificarem o que se passa. Chegou-se ao desplante de me pedirem para que identificasse os barcos, que tirasse fotografias e que fizesse a denúncia. Afinal para que servem os serviços deles”, questiona Manuel Fabiano, acrescentando que se a fiscalização fosse mais interventiva não havia tanta infracção.
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