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As saudades dos namoros e as achegas aos políticos

As saudades dos namoros e as achegas aos políticos

Centenas de reformados reuniram-se no Pavilhão de Exposições do Cartaxo para conviver e recordar

Mais de 800 pessoas reuniram-se no sábado no Pavilhão Municipal de Exposições do Cartaxo para mais um convívio de reformados. Os namoros de antigamente, o trabalho e a política preenchem as conversas de quem tem uma vida inteira de histórias para contar.

Edição de 22.09.2004 | Sociedade
José Augusto Pinheiro, 85 anos, senta-se ao lado da companheira de há mais de seis décadas, Maria Celestina. Aos poucos a longa mesa corrida de madeira, instalada no recinto do Pavilhão Municipal de Exposições do Cartaxo, para o almoço de sábado, vai-se enchendo de gente com uma vida inteira de histórias para recordar.O motorista aposentado, presença assídua do convívio de reformados, nasceu e foi baptizado na freguesia de S. Pedro, Torres Novas, mas o destino conduziu-o até à terra afamada pelo bom vinho.Aos 18 anos, durante umas férias de Verão, conheceu na Nazaré a mulher mais bonita que alguma vez viu. A paixão foi crescendo e todos os meses José Pinheiro pedalava de Torres Novas até ao Cartaxo para namorar a sua cara metade. E foi por cá que ficou.O já tradicional almoço do Convívio de Reformados, organizado pela Junta de Freguesia do Cartaxo, serve para recordar os namoros de outros tempos e não só. Se a companhia ajudar até se dão algumas achegas aos políticos locais.“Foi uma das coisas boas que criaram para o convívio entre os velhotes. O almoço e o passeio de Verão. Mas acho que a câmara municipal devia ter mais iniciativa”, avalia José Augusto Pinheiro.Do outro lado da mesa Rosário Correia, 72 anos, conferencia com algumas companheiras. Nas veias corre-lhe o sangue alentejano, mas foi o Cartaxo que há 37 anos lhe deu as condições para subsistir.Teve uma vida dura de trabalho numa fábrica de transformação de tomate do concelho, mas orgulha-se de poder ter dado às duas filhas a possibilidade de tirar um curso superior. Ao almoço de convívio veio sozinha. O marido prefere a pacatez do lar às agitadas movimentações de almoços. “Já somos reformados e o almoço anima-nos. Precisamos de nos distrair!”.Ermelinda de Jesus, 75 anos, é natural de Cinfães do Douro, mas a vida também a fez rumar a terras do Tejo para trabalhar nas fábricas. “Ela é como o pardal do telhado”, brinca uma amiga.Há quatro anos que não falha o almoço dos reformados. Gosta do convívio e a ementa não deixa nada a desejar. Este ano há sopa à lavrador, arroz de cherne e bifinhos de porco à chefe com batata frita e legumes.A companheira de mesa, Estrudes Isenta, “cartaxeira de gema”, também é uma das primeiras a fazer a inscrição. É uma tarde em festa, com folclore, música e dança, que faz recordar as jornadas de trabalho no campo. Mas, mais do que falar, Estrudes prefere a música. “Nos outros anos assim que chegava ia logo bailar, não ligava aos que ficavam a falar. É pena que as pernas não sejam como dantes...”.O presidente da Junta de Freguesia do Cartaxo, Manuel Salgueiro, orgulha-se que o convívio de reformados já tenha chegado à nona edição. “Foi aqui que surgiu a ideia do Centro de Convívio do Cartaxo que está a funcionar junto ao Ateneu há um ano”.O objectivo da organização é reunir os reformados da freguesia num ambiente de festa. “É o grande dia para eles”, garante Manuel Salgueiro. Depois do almoço há lanche à discrição e durante toda a tarde o bar está aberto. A festa só termina ao final da noite.Ana Santiago
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