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Esgotos fora dos quintais

Esgotos fora dos quintais

Águas do Centro obrigada a reformular traçado de colector por causa de agricultores de São Pedro

A construção do colector de esgotos que liga as localidades de Bairrada e Bemposta, na freguesia de São Pedro, Tomar, está suspensa há quase um ano. Tudo porque a maior parte dos habitantes não deixa que o colector passe nos seus terrenos.

Edição de 22.09.2004 | Sociedade
O traçado do colector de esgotos que atravessará a freguesia de São Pedro, Tomar, vai ter de ser alterado devido ao facto de a maior parte dos mais de cem proprietários não autorizar a passagem do colector nos seus terrenos.A Exprobel, firma contratada pela Águas do Centro para obter a autorização de implantação do colector, até chegou a colocar estacas a sinalizar os terrenos, mas grande parte dos proprietários acabou por recusar as contrapartidas oferecidas pela companhia que gere o sistema de abastecimento de água em alta (da captação até ao depósito) no concelho de Tomar.Num abaixo-assinado enviado à Junta de Freguesia de São Pedro e à Águas do Centro – empresa que gere os sistemas de abastecimento de água e a rede de saneamento básico em vários concelhos da zona centro -, os agricultores declaram não autorizar a passagem do colector pelos seus terrenos. E, entre outro argumentos, dizem que a qualidade dos solos já foi suficientemente afectada pela obra da rede de rega da Barragem do Carril.Acrescentam que os seus terrenos, situados no vale da ribeira da Lousã, são considerados solos protegidos, estão em Reserva Agrícola Nacional (RAN), o que impede qualquer obra que não se destine à prática agrícola.A Águas do Centro oferecia aos proprietários, como contrapartida à passagem do colector, a compra dos terrenos pagando ainda as culturas que lá estivessem plantadas. Em alguns casos a compra era substituída por servidões. Isto é pagavam apenas o facto de se servirem do terreno e condicionavam futuras plantações de algumas espécies no local, nomeadamente árvores consideradas de grande porte.Apesar de a maioria das estacas permanecer nos quintais, os proprietários podem agora descansar. O colector já não vai passar por ali.A obra iniciou-se em Outubro de 2003 mas assim que a Águas do Centro abriu o primeiro buraco verificou que iria ter problemas. E optou por suspender a obra. Até hoje.Duarte Silva, engenheiro da empresa, referiu a O MIRANTE que a solução passa pela alteração do traçado, projecto que está a ser executado. E por isso ainda não se sabe quando as máquinas retornam ao terreno.De acordo com o responsável, boa parte do novo traçado vai passar agora por terrenos públicos, deixando o esgoto de correr por gravidade e passar a circular através de bombagem. O que obrigará à construção, anteriormente não prevista, de uma pequena estação elevatória.Duarte Silva diz ainda não saber se a obra ficará encarecida com esta mudança de planos. “Vamos ter custos adicionais com a reposição de pavimento na estrada mas a vala que iremos abrir é, por seu lado, de menor profundidade”, refere o engenheiro, adiantando que a contabilidade entre as obras a mais e a menos ainda não foi feita.Inicialmente, o valor da construção de quatro quilómetros de colector era de 180 mil euros, mais IVA.Margarida Cabeleira
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