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Máquina abandonada no Paul do Boquilobo

Máquina abandonada no Paul do Boquilobo

Instituto da Conservação da Natureza comprou-a há uma década por 60 mil euros

Há anos que uma máquina de apanhar jacintos de água está abandonada num terreno da quinta do Paul, na Reserva Natural do Paul do Boquilobo. A máquina foi comprada há dez anos pelo Instituto de Conservação da Natureza, custou 60 mil euros, mas raramente foi usada.

Edição de 22.09.2004 | Sociedade
Há mais de dez anos o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) adquiriu uma ceifeira aquática, uma máquina que serve essencialmente para tirar dos rios e/ou lagos plantas incómodas, como os jacintos existentes nos ribeiros do Paul do Boquilobo. Mas a máquina raramente é utilizada e há anos que está abandonada. “Este tipo de máquina não se coaduna com os rios e ribeiros que temos, porque ela tem de trabalhar em espaço aberto e as margens aqui têm muito arvoredo”. A justificação dada por um guarda da reserva talvez explique o investimento de 60 mil euros efectuado na compra da máquina. O que não pode justificar é o facto de ela estar abandonada há perto de cinco anos naquele local. O guarda, que prefere o anonimato, diz que a ceifeira está ali há apenas um mês. “Foi emprestada à Câmara da Golegã e está-se à espera que venham aqui buscá-la”, diz. Mas as ervas que tomaram conta da passadeira sem-fim, as teias de aranha existentes por toda a parte e a ferrugem do equipamento rezam outra história.Uma história confirmada pelo município goleganense. O vereador responsável pelo pelouro das obras afirmou ao nosso jornal que a máquina foi emprestada à autarquia em 1998 e 1999, para limpeza dos jacintos que quase tapavam a lagoa de alverca, situada junto à entrada da vila para quem vem de Azinhaga.“A máquina foi-nos cedida gratuitamente pelo Instituto de Conservação da Natureza, esteve a trabalhar aqui entre 1998 e 1999 e fez um excelente trabalho, mas depois nós devolvemo-la à reserva”, referiu Melancia Cachado.Ao contrário do que foi ventilado pelo guarda da reserva, desta vez não foi a Golegã a pedir a máquina, mas a responsável máxima da Reserva do Paul do Boquilobo, a directora do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, a solicitar à autarquia a sua guarda.“É verdade que há cerca de um mês a directora da reserva nos contactou e averiguou da possibilidade de levarmos a máquina para o estaleiro da câmara”, garantiu o vereador, adiantando que só ainda não o fizeram devido à falta de pessoal, em férias.Na ocasião, Maria João Botelho terá justificado o pedido com o facto do ICN não ter um espaço coberto para a guardar e, como não estava a ser usada, ficaria melhor estando armazenada no estaleiro da Golegã.O nosso jornal tentou ao longo da semana contactar a directora do Paul do Boquilobo mas até ao fecho desta edição Maria João Botelho esteve sempre indisponível para comentar o assunto.Melancia Cachado diz que a autarquia aceitou ficar com a guarda da máquina, apesar do seu legítimo proprietário ser o Instituto da Conservação da Natureza. “Se voltarmos um dia a precisar dela para limpar a alverca pedimos autorização ao instituto, ele é que é o dono”, refere o autarca, adiantando não prever no entanto que a máquina faça falta ao município nos próximos anos. Margarida Cabeleira
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