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Prédio em ruínas ameaça segurança

Câmara de Coruche admite expropriação ou posse administrativa

Um prédio situado no centro de Coruche encontra-se em risco de ruína. A câmara vai avançar para a contenção periférica do imóvel e admite tomar posse administrativa do prédio. Em causa está a segurança da via pública.

Edição de 22.09.2004 | Sociedade
Do telhado já pouco se vê e as paredes apresentam um aspecto deteriorado. O prédio número 90 da rua Direita, no centro de Coruche, está num estado de degradação preocupante. No rés-do-chão subsiste uma loja de venda de tecidos, mas a habitação do primeiro andar e o sótão da casa há muito que estão abandonados, bem como outro espaço no piso térreo.O assunto foi analisado na reunião de câmara de 15 de Setembro e o líder da autarquia, Dionísio Mendes (PS), considerou que há que defender a segurança da via pública mas nunca “premiar” o proprietário que, em seu entender, não tem mostrado vontade em resolver a situação. “Se a câmara avançasse para a contenção periférica do edifício e a sua demolição, o comerciante, que é usufrutuário, fica sem negócio e, o senhorio deixa de ter qualquer responsabilidade e fica com um lote livre para fazer o que entender. E provavelmente, pagando os trabalhos à autarquia, muitos anos depois, através de processo”, augurou pessimista Dionísio Mendes, afastando a hipótese de ser a autarquia a assumir todos os encargos, sociais e económicos, da operação. Nesse sentido, o executivo municipal deliberou, por unanimidade, que se avance para a contenção periférica do edifício – colocar uma estrutura que impeça o seu desabamento na via pública - e contratação da empresa para executar essa obra. Bem como vir a analisar a possibilidade de tomar posse administrativa ou fazer a expropriação do edifício - “o que mais convier à autarquia do ponto de vista económico”, acrescentou o edil.Heraldo Bento, de 77 anos, tem a loja de tecidos no rés-do-chão do prédio há meio século. Desde há uma dúzia de anos a casa ficou desabitada e começaram os problemas. Ao contrário do resto do edifício, a loja está em bom estado e possui uma placa recentemente construída. Mas nada que não possa evitar que a queda do telhado cause estragos ou ponha a vida de Heraldo Bento em risco e de quem transita naquelas ruas. Quanto a uma possível solução, o comerciante está disposto a ouvir propostas, desde que sejam defendidos os seus interesses. “Eu sou reformado e continuo a trabalhar, não porque quero, mas porque necessito. Por isso, há que ter esse aspecto em conta”, salientou.Prédio está à vendaPara o co-proprietário do prédio, José Dias de Almeida, a possibilidade de a câmara vir a tomar posse administrativa do prédio ou a expropriá-lo não é correcta. Segundo explica, o prédio tem uma usufrutuária, que é sua tia, “pelo que a responsabilidade não é minha nem do meu primo, enquanto a senhora for viva,” esclareceu a O MIRANTE.Reconhecendo que o edifício está a cair, admite que, se a loja não estivesse em funcionamento, já teria sido demolido.José Dias de Almeida admitiu ainda que o prédio se encontra para venda, dado possuir uma carta da tia a autorizar a operação. Mas diz que ainda não foi possível chegar a acordo com alguns interessados que apresentaram propostas.“Que me dêem o dinheiro que peço pelo prédio, cerca de 82.300 euros, e podem fazer o que entenderem”, assegurou José Dias de Almeida, acrescentando que a autarquia autoriza que se construa naquele lote um segundo andar recuado.

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