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Um esgoto chamado Almonda

Um esgoto chamado Almonda

O problema agravou-se este Verão por culpa da ETAR de Torres Novas

O rio Almonda corre como um esgoto a céu aberto dentro da Reserva Natural do Paul do Boquilobo. Um dos guardas da reserva diz que a câmara é a principal prevaricadora e que prometeu resolver a situação há já quatro meses.

Edição de 22.09.2004 | Sociedade
Em plena Reserva Natural do Paul do Boquilobo o rio Almonda é um autêntico esgoto a céu aberto. A água tem uma tonalidade cinzenta escura, está cheia de uma espécie de espuma branca e apresenta um cheiro quase insuportável. O Almonda nunca foi um rio límpido mas a situação piorou desde o início do Verão, devido ao mau funcionamento da ETAR de Torres Novas. A câmara sabe mas ainda nada fez.“A culpa é da ETAR de Torres Novas”, garante um guarda da Reserva do Paul do Boquilobo enquanto olha para as águas turvas que passam mais abaixo, por sobre a velha ponte junto à quinta do Paul.De acordo com o guardião do espaço, que preferiu ficar no anonimato com receio de reataliações, a 5 de Junho passado, Dia Mundial do Ambiente, o vereador com o pelouro das obras e do ambiente da Câmara de Torres Novas esteve no local juntamente com um engenheiro camarário, mostrando-se então “chocado” com o estado do rio.Na altura o vereador Mário Mota terá admitido que a poluição vinha da estação de tratamento de águas residuais da cidade e prometido resolver rapidamente a situação. Passados quase quatro meses as águas continuam negras e o cheiro nauseabundo.“Ninguém quer saber”, acusa o guarda, adiantando que a ETAR de Torres Novas sempre foi uma das maiores poluidoras do rio naquela zona. “Devia estar a trabalhar com seis arejadores (que oxigenam a água) mas só um é que está a funcionar”, garante.Como se não bastasse a poluição que chega ali vinda da Vala das Cordas, um problema que se arrasta há mais de duas décadas devido à falta de saneamento básico, que faz com que os esgotos domésticos acabem por desaguar ali. Não só os de parte do concelho de Torres Novas como também alguns do Entroncamento.O problema volta a ser de uma ETAR, a de Riachos, que não funciona como deve ser, embora o presidente da autarquia torrejana sempre tenha dito que ela está a cem por cento.Aliás, há dois anos o presidente do município decidiu implementar novamente a figura do guarda rios no Almonda, com a justificação de que alguém teria de fiscalizar diariamente o rio para que se encontrarem os prevaricadores que poluem o rio.Na altura, a autarquia chegou a contratar um funcionário para o efeito mas, segundo o vereador Carlos Tomé (CDU), na prática o guarda-rios nunca chegou a executar os propósitos para os quais foi contratado – zelar pelo rio.O guarda da Reserva do Paul do Boquilobo olha entristecido para as águas turvas que correm por baixo da velha ponte. Abana a cabeça e diz que quando alguma empresa lança uma descarga para o rio, dentro da cidade, a câmara é a primeira a procurar culpados. Mas, como dizia, dentro da reserva o rio corre longe dos olhares da maioria dos munícipes e aí a culpa morre muitas vezes sozinha. “É uma vergonha ter um leito de rio neste estado ainda mais dentro de um local que é a único em Portugal a ter o estatuto de reserva da biosfera”, referiu o guardião do espaço.Durante os últimos dias O MIRANTE tentou contactar a Câmara de Torres Novas para obter um comentário. O vereador Mário Mota chegou a falar com o jornalista, anotou o assunto e pediu para que a ligação fosse feita mais tarde devido ao facto de estar em reunião. Só que a conversa nunca chegou a ser concretizada uma vez que o vereador nunca mais respondeu aos telefonemas efectuados pelo nosso jornal. Também a responsável pela Reserva do Paul do Boquilobo, Maria João Botelho, não pôde ser contactada por se encontrar fora da sede e ter, segundo a sua secretária, o telemóvel “bloqueado”.
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