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Oportuno Serafim das Neves

Edição de 29.09.2004 | E-mails do outro mundo
É isso mesmo. Concordo contigo a mil por cento. Em Portugal quem não chora não mama. É por isso que este país é uma país de choramingas e de mamões. E há no mercado exemplos que merecem um aturado estudo. Gajada que passa a vidinha à mama sem nunca mexer uma palha. Rapaziada que consegue à custa de choradeiras infinitas secar as tetas de manadas de vacas leiteiras. Há a choraminguice dos Lelos à porta das câmaras municipais. Pedem uma casinha, uma dispensinha cheia, uma antena parabólica, dinheirinho para tudo e mais alguma coisa. Eu sei que ainda levo com um processo do pessoal das minorias étnicas em cima por causa de não ser politicamente correcto, mas estou-me marimbando. Nessa altura apresento como testemunhas os presidentes das câmaras de Coruche, Entroncamento... e por aí fora.Depois há a procissão do subsidiozinho. Para a festa do caracol, para o jantar de amigos do fado, para a compra da ambulância. Tantas ambulâncias tem este país, meu Deus. Até as Juntas de Freguesia e as Associações Onomásticas têm ambulâncias. Portugal é o país de Europa com mais ambulâncias por habitante. Quase que apostava.Quem pensa organizar alguma coisa em Portugal, a primeira coisa que faz é um ofício a pedir um subsídio. A segunda é convocar uma conferência de imprensa a acusar a câmara de ter inviabilizado a iniciativa por não ter disponibilizado uns dinheiritos. Em Portugal nada se faz sem subsídio. E para se obter o subsídio – fonte de vida e motor de desenvolvimento – é preciso chorar muito. Carpir mais que um bando de carpideiras profissionais. Ter amigos jornalistas que denunciam a injustiça da não atribuição das massitas. Há histórias e mais histórias de rapaziada que chorou tão bem em frente às câmaras de filmar das televisões que acabou soterrada em dádivas. A mãe que não tinha dinheiro para dar de comer aos filhos e que ficou com material suficiente para abrir um mini-mercado. A família que não tinha umas caminhas para deitar as crianças e que agora não sabe o que fazer às toneladas de mobiliário que foram descarregadas por uma frota de camiões TIR à porta de casa. A organização humanitária que pediu umas roupitas para enviar para África e que se vê quase obrigada a abrir um pronto a vestir de vestuário em segunda mão. Ou a atirá-lo para o lixo como aconteceu recentemente ali para os lados da Chamusca.Havia um velhote que andava pelos comboios a vender uns brinqueditos de meia-tigela e umas guloseimas. O seu pregão resume o nosso mui coitadinho e desgraçadinho Portugal: “Chora menino, chora, que a mamã compra”. O homem deveria ter sido contratado para criativo de uma agência de publicidade. Um slogan assim vale milhões.Fizeste bem em mandar a tal cartita ao Presidente Sampaio a chorar por um carro topo de gama, por uma vitória do teu Sporting e por uma noites bem passadas com a Catarina Furtado e a Bárbara Guimarães. Espero que tenha choramingado com toda a convicção. Que tenhas utilizado vocabulário capaz de partir o coração a qualquer pedra da calçada. Conhecendo, como todos conhecemos, a sensibilidade do homem já te estou imaginar de cabelos ao vento, num belo Ferrari com uma bomba ao lado e um cachecol do Leão a berrar em verde e branco: Campeão na época 2004/2005. Quanto ao presidente da câmara de Santarém não lhe auguro nada de bom. O homem não tem jeito para nada. Nem para mamar na teta dos subsídios e dos contratos programa. É um caso perdido. A excepção que faz a regra nacional. Quando ele começa a choramingar desata toda a gente a rir. Uma lástima!Um abraço bem choradinho do Manuel Sera d’Aire

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