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Falta sensibilidade aos políticos

Presidente da Nersant quer mais suporte em Lisboa
Edição de 29.09.2004 | Economia
José Eduardo Carvalho aponta o dedo à falta de sensibilidade dos políticos pelo não desbloqueamento dos apoios governamentais ao tecido económico da região e espera que as comunidades urbanas abram a porta aos empresários na altura de gerir dinheiros comunitários.As empresas da região não irão fechar pela falta de apoios governamentais mas o presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém - Nersant avisa que o investimento irá sofrer uma quebra brutal. E não se deve esquecer que o investimento actual na região é o mais baixo dos últimos dez anos.José Eduardo Carvalho e os empresários que representa ainda não desistiram de levar a água ao seu moinho, mas são os únicos que ainda acreditam. “O grande falhanço é que não conseguimos mobilizar a região para este problema, porque as pessoas acham que o problema das empresas é com as empresas e não se irá reflectir nas outras coisas”.A comunidade em geral não é sensível a esta questão e os políticos idem aspas. “Há um ou dois deputados interessados, mas é preciso muito mais”.O presidente da associação não aventa sequer a hipótese de uma nova recusa, após o “não” do Governo recebido em Fevereiro. Primeiro porque até agora o ministro Morais Sarmento cumpriu sempre todas as promessas que fez. Depois pelo facto desta nova proposta não envolver qualquer custo para o Estado. “Não estamos a pedir um único tostão a fundo perdido”.A primeira proposta, apresentada há cerca de ano e meio, pressupunha que a injecção de dinheiro pela Administração Central, através do chamado Fundo de Desenvolvimento empresarial, gerido pelo IAPMEI. Isto é, as empresas da região seriam compensadas da falta de apoios comunitários, nomeadamente do programa Prime, pelo Governo.Na proposta mais recente, apresentada há pouco mais de um mês, os empresários não pedem dinheiro ao Estado. Solicitam apenas o seu aval em termos de financiamento bancário. A banca passa assim a substituir-se ao Governo, financiando os empresários com o aval do Estado. E só no caso de alguma das empresas entrar em incumprimento em termos de empréstimo, é que as instituições bancárias poderão pedir contas ao Governo. Na segunda proposta o dinheiro do Fundo de Desenvolvimento Regional estará na “retaguarda” e só será accionado quando e se existir incumprimentos.A Nersant sabe que a segunda proposta foi despachada favoravelmente pelo então ministro da Economia Carlos Tavares, semanas antes de sair do Governo, tendo-a remetido para o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), no sentido deste organismo fazer o respectivo enquadramento e regulamentação para ser aplicada.Mas o Governo foi remodelado e o IAPMEI também. E a proposta aprovada por Carlos Tavares continua em cima da mesa do organismo estatal. Apesar de tudo, José Eduardo Carvalho é mais benevolente para com os políticos locais. “As câmaras também têm problemas de financiamento, que os presidentes estão preocupados em resolver. Os aliados para esta causa têm de ser os deputados”.A relação com as autarquias deve ser feita a outro nível, nomeadamente no âmbito das comunidades urbanas. “Se houver delegação de competências para a gestão de fundos comunitários, a partir de 2006, que tenham de levar em linha de conta o desenvolvimento económico, achamos que devemos ter uma participação”.

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