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Um homem de confiança

José Eduardo Carvalho, presidente da Nersant, prefere os bastidores às luzes da ribalta
Edição de 29.09.2004 | Economia
Assume ser exigente, por vezes irascível, o que já lhe valeu ser expulso de um gabinete ministerial, mas é leal e preza a confiança. Gosta de desportos radicais e há muito que deixou os vícios do café e do tabaco. José Eduardo Carvalho é um homem que prefere os bastidores às luzes da ribalta.Poucos são os que conhecem o homem que está por detrás da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant). José Eduardo Carvalho sempre preferiu manter uma postura discreta fora do âmbito empresarial. Tal como o autor de um livro que leu recentemente, considera que quem domina a opinião pública ocidental – gays, feministas e o movimento anti-globalização – transformou a vida privada num produto em extinção.É por isso que não gosta de misturar as águas. “Nós temos de ser avaliados é pelo que fazemos e não pelo que somos”. Apesar das reticências, a O MIRANTE José Eduardo Carvalho acabou por levantar um pouco o véu da sua vida para além dos negócios.Gosta de se levantar cedo e todos os dias, às 06h30 da manhã, faz uma corrida para manter a forma física que aos 47 anos preserva. É adepto dos desportos radicais, da canoagem ao rafting. No seu gabinete, em cima de uma mesa de apoio, o diploma de saltos de pára-quedas, passado pela escola de pára-quedistas de Tancos, convive com fotos que lembram ocasiões especiais.Abomina o que chama de espectáculo do jet-set e detesta a ingratidão e a maledicência que, diz, é o principal defeito do ribatejano. Na leitura segue geralmente as indicações de alguns amigos. Em cima da mesa de cabeceira não tem um nem dois, mas imensos livros. Gosta de ler vários em simultâneo e neste momento anda “perdido” na Encruzilhada - um livro de um escritor tomarense, Vasco Rato, que dá conta do conflito existente entre Estados Unidos, Inglaterra e França, após a guerra no Iraque - e absorto na bibliografia de Churchill.A situação que rodeia o mundo árabe é a que ultimamente mais lhe desperta a atenção. “A Liderança” foi o último livro que leu. “Gostei muito, achei espectacular esta história de vida do mayor de Nova Iorque à data do 11 de Setembro”.Deixou o vício do café quando decidiu fumar o último cigarro, já lá vão uns bons anos. Vinho bebe raramente, apenas para acompanhar com quem está à mesa.Vive obcecado em implementar projectos estruturantes para a região, cuja cruzada iniciou há já quatro anos num esforço que considera de jesuíta.José Eduardo Carvalho tem a fama de ser demasiado exigente, às vezes até irascível, para com quem diariamente com ele convive. Ele próprio o confirma – “É por isso que corro, para me libertar e pensar na vida”.As suas atitudes pouco ortodoxas já lhe valeram a expulsão do gabinete de um secretário de Estado. Que nunca mais o recebeu. Apesar de afirmar que hoje está mais indulgente, já não deixa as coisas chegarem a vias de facto, admite que quem trabalha com ele “passa um mau bocado”. “Mas acho que gostam de trabalhar comigo”, diz enquanto abre a boca num sorriso.Não controla como as coisas se fazem mas exige que apareçam feitas nos prazos estipulados e não aceita desculpas “esfarrapadas”. Quando tudo corre sobre rodas também gosta de partilhar com os outros o seu optimismo.A lealdade é a sua principal qualidade. “Quando assumo um compromisso levo-o até ao fim”. É incapaz de trair alguém, mas já foi traído. Numa única frase, José Eduardo Carvalho faz um retrato de si próprio - “Sou um homem em que se pode confiar”.

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