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O autarca que gosta mais de ouvir do que falar

O autarca que gosta mais de ouvir do que falar

Helder Rodrigues está no segundo mandato à frente da Junta de Freguesia de Olaia
Edição de 29.09.2004 | O poder local aqui tão perto
Helder Rodrigues gosta mais de ouvir do que falar. O presidente da Junta de Freguesia de Olaia sempre foi muito reservado, talvez por ser filho único e ter ficado muito cedo sem pai. Durante 23 anos trabalhou na fábrica da Ford na Azambuja e só saiu quando a unidade fechou. Em 1997 foi presidente de junta sem esperar, mas quatro anos depois ganhou a presidência por mérito próprio.Nasceu na Lamarosa, concelho de Torres Novas, mas só aos seis anos se fixou na sede de freguesia do concelho de Torres Novas. Filho de funcionário da CP, passou a sua primeira infância a viajar pelo país. Viveu em Vila Franca de Xira, em Vila Velha de Ródão e em outras localidades para onde o pai era deslocado em trabalho.Mas foi na Lamarosa que passou a sua juventude. A morte do pai num acidente de viação tornou-o homem aos 16 anos. É por isso que hoje sabe fazer quase tudo em casa. E ajuda a mulher na cozinha sempre que a vida profissional e autárquica o deixa.O que acontece bem menos vezes do que gostaria. “A família fica sempre para o fim”, lamenta Helder Rodrigues, pensando na mulher Filomena e nas duas filhas, Ana Margarida e Marta. Os sábados são geralmente dedicados a percorrer a freguesia, a ouvir a população e os domingos passam num instante.Durante 23 anos foi técnico fabril na fábrica da Ford na Azambuja. As suas funções estendiam-se também ao contacto com os fornecedores, levando-o a contactar diariamente com pessoas de todo o país.Helder Rodrigues lembra o tempo em que a fábrica dava trabalho a mais de mil pessoas. Há quatro anos, quando encerrou as portas, não tinha mais de 300. Aos 42 anos, o presidente da Junta de Freguesia de Olaia era novo demais para ir para a reforma e demasiado velho para a maioria dos empregadores.“Não foi fácil arranjar emprego, mas felizmente consegui”. Hoje trabalha numa empresa de publicidade, novamente ligado à parte de armazém. A função é a mesma, os materiais é que não. Sempre pautou a sua vida pela rectidão e frontalidade. Foi por isso que assumiu a liderança da junta quando menos esperava. Em 1997 candidatou-se na lista do Partido Socialista, embora mantendo a sua posição de independente. Estava em segundo lugar e nunca pensou aceder à presidência, mas o destinou trocou-lhe as voltas.O actual vereador da Câmara de Torres Novas, Mário Mota, era o cabeça de lista à junta e estava em quarto lugar na lista à câmara. Como o PS ganhou a maioria absoluta à câmara, Mário Mota assumiu o seu lugar de vereador. Mas nas últimas eleições Helder Rodrigues ganhou a maioria da freguesia por mérito próprio.Os poucos tempos livres de que dispõe são passados a ler jornais diários, um desportivo e outro mais generealista e a dar uma força ao rancho da Casa do Povo, do qual já foi presidente. Hoje está um pouco mais afastado devido aos compromissos para com a população.Helder Rodrigues gosta mais de ouvir que de falar. Mesmo assim já é bem mais comunicativo que há uns anos atrás. “Era uma pessoa extremamente reservada, talvez por ser filho único e ter ficado cedo sem pai”.Para o homem que continua a preferir carros da marca Ford, a melhor invenção das últimas décadas foi o telemóvel. “Não sei se conseguiria já viver sem esta máquina”.
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