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Com a corda na garganta

Centro Cultural Regional de Santarém acumula dívidas enquanto espera por apoios

O único funcionário não recebe salário há quatro meses. As dívidas a fornecedores acumulam-se. O panorama financeiro do Centro Cultural Regional de Santarém é negro. Os apoios da câmara chegam tarde e a conta-gotas. Os do Ministério da Cultura não se sabe se vão chegar.

Edição de 29.09.2004 | Sociedade
O Centro Cultural Regional de Santarém (CCRS) está a atravessar uma grave crise financeira. Para além das dívidas a fornecedores que se vão acumulando, aquela entidade já não paga o salário do seu único funcionário há quatro meses. Do apoio protocolado com a Câmara de Santarém para este ano, na ordem dos 450 euros mensais, só recentemente chegou a verba respeitante a Janeiro. E o Ministério da Cultura tarda em dar resposta ao pedido de apoio feito há meses ao Fundo de Fomento Cultural.Graça Morgadinho, presidente da direcção do CCRS, diz que sem apoios a instituição, que tutela o Fórum Actor Mário Viegas, tem grandes dificuldades em sobreviver. “Temos insistido todas as semanas com o Ministério da Cultura a perguntar quando haverá despacho para o nosso processo. E vamos pedir à Câmara de Santarém que nos adiante o montante global do apoio respeitante a este ano”.A vereadora com o pelouro da Cultura, Idália Moniz (PS), reconheceu ao nosso jornal que há mensalidades em atraso, devido às dificuldades financeiras da autarquia, que vão tentando repor “dentro das possibilidades”. E acrescentou que assim que chegue o pedido do CCRS, para adiantamento da verba referente a 2004, o mesmo será transmitido ao presidente da câmara, Rui Barreiro (PS), para ser devidamente analisado. “Acredito que o senhor presidente será receptivo ao pedido, à semelhança do que já aconteceu com pedidos de alguns clubes desportivos”, observa a autarca, que realçou também a importância das instituições em gerar receitas.Esse é aliás um dos problemas do Centro. Graça Morgadinho explica que as receitas provenientes das exposições têm sido escassas, o que se explica em parte com a actual conjuntura económica. “Vive-se uma crise financeira que se traduz negativamente no investimento em arte. Nas últimas exposições não vendemos qualquer trabalho”, exemplifica.Para que o centro não chegue à ruptura total de tesouraria têm valido os cursos de arte que ali são regularmente ministrados. Apesar das dificuldades, o CCRS tem mantido as suas actividades sem grandes quebras dia 2 de Outubro é inaugurada uma exposição de pintura e desenho de Américo Marinho, artista já falecido.Graça Morgadinho lembra que as instalações do Centro Cultural Regional, situadas no centro histórico de Santarém, sempre estiveram de portas abertas aos artistas plásticos da região. Essa relação de cumplicidade levou a que vários artistas plásticos se tenham oferecido entretanto para participar numa exposição conjunta onde doarão um dos seus quadros à instituição, como a responsável fez questão de sublinhar.A mesma responsável esclarece que o acordo estabelecido com a câmara prevê um apoio financeiro mensal a troco da cedência das instalações para iniciativas da autarquia.Já quanto ao apoio do Ministério da Cultura, via Fundo do Fomento Cultural, no ano passado cifrou-se em 15 mil euros. Este ano, Graça Morgadinho espera uma verba semelhante, mas a resposta de Lisboa tarda em chegar.O MIRANTE contactou telefonicamente, na segunda-feira, a presidente do Fundo de Fomento Cultural, Fernanda Heitor, que ficou de nos contactar durante o dia de terça-feira para falar sobre o assunto. A sua posição não chegou até ao fecho desta edição.

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