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Hotel de luxo sem obras à vista

Hotel de luxo sem obras à vista

Reservas agrícola e ecológica estão a dificultar a vida a investidores

Entraves processuais estão a impedir a construção de um empreendimento turístico de luxo em Torres Novas. Parte do projecto encontra-se em área abrangida pelas reservas agrícola e ecológica. Uma situação com que os promotores, aparentemente, não contavam.

Edição de 29.09.2004 | Sociedade
O grande hotel da Quinta do Marquês, em Torres Novas, já deveria estar inaugurado, mas as obras ainda nem sequer começaram. Os investidores - Banco Português de Negócios (BPN) e Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - alegam dificuldades relacionadas com as reservas agrícola nacional (RAN) e ecológica nacional (REN) e recusaram confirmar a O MIRANTE se continuam ou não interessados no projecto.Em Maio de 2001, o presidente da SLN, Oliveira Costa, e o representante do BPN, Luís Caprichoso, anunciaram em Torres Novas que o grande hotel da Quinta do Marquês seria inaugurado dentro de dois anos e meio a três anos. No entanto, o prazo já terminou e as obras ainda nem sequer começaram. A Câmara de Torres Novas fala em problemas relacionados com uma pequena faixa de terreno incluída em Reserva Ecológica Nacional, tutelada pelo Ministério do Ambiente, situação que é confirmada pelos investidores.Apesar de se tratar de uma área de reduzidas dimensões, a proibição de fazer qualquer tipo de construção naquela parcela parece impedir a concretização e andamento do projecto. O Grupo BPN informou ainda, através de correio electrónico, que existem também situações por resolver relacionadas com a Reserva Agrícola Nacional (RAN), sob jurisdição do Ministério da Agricultura. Estas foram as únicas justificações apresentadas pelo BPN e SLN após sucessivos telefonemas de O MIRANTE, ficando por esclarecer se o banco continua interessado no projecto e, se assim for, para quando está previsto o início dos trabalhos. A resposta a estas questões foi-nos recusada, depois de termos sido informados pela direcção de marketing que seriam fornecidas por um dos administradores do BPN, Francisco Sanches, com o qual nunca foi possível estabelecer contacto. No e-mail enviado pela empresa Comunicação e Imagem, que trabalha para o Grupo BPN, está expresso: “Não podemos, neste momento, adiantar-lhe mais informações ou comentários”. Da parte da Câmara Municipal de Torres Novas a informação é um pouco diferente. Há zonas da Quinta do Marquês que estão incluídas em reservas nacionais, ecológica ou agrícola, mas esse facto não prejudica a concretização do projecto. O problema com a REN, que chegou a ser discutido em reuniões do executivo camarário, resumia-se a uma linha de água considerada “intocável”. Para se proceder à simples limpeza das margens é necessário o acordo da Reserva Ecológica Nacional, ou então enveredar-se pela desafectação.A nível do Chiva-som, ao que O MIRANTE conseguiu apurar junto de fonte da autarquia, tudo permanece na mesma. O projecto deu entrada na câmara e lá continua sem se conhecer qualquer andamento.Tal como foi divulgado, o grande hotel da Quinta do Marquês será um complexo turístico, único na Europa, com orçamento estimado de 50 milhões de euros, designado por Chiva-som e concebido nos moldes da unidade existente em Hua Hin, a poucos quilómetros de Banguecoque, na Tailândia. Na organização deste hotel de luxo os promotores contavam com o saber de Ana Maria Tavares, directora do congénere tailandês. O projecto de arquitectura e o desenho de interiores são da autoria do gabinete “The Syntax Group”, que também assinou o projecto do Chiva-som tailandês. Apesar da grandeza das construções, os arquitectos garantiram, na cerimónia de apresentação em Maio de 2001, que o projecto “respeitará rigorosamente todo o espaço ecológico e tradições da Quinta, inserindo-a na filosofia Chiva-som”. O palacete desta propriedade com cerca de 60 hectares seria utilizado para recepções. Os alojamentos hoteleiros, que incluem 100 quartos, blocos de apartamentos e, provavelmente, 10 a 15 vivendas, num total de mais de 120 camas, nasceriam em frente aos jardins do palácio acompanhando o declive do terreno. O empreendimento teria como alvo o mercado interna-cional, uma vez que o preço de uma noite poderia ascender a mais de 500 euros. Na altura da apresentação, Oliveira Costa afirmou estar convencido que em menos de quatro anos o investimento estaria equilibrado. “No grupo temos um princípio: só tomamos uma posição quando ganhamos a convicção de que aquilo que vamos gastar se poderá recuperar num universo de quatro anos, em termos médios. Penso que este se irá recuperar em muito menos do que isso”. Justificou a convicção por haver “sinais claros” nessa perspectiva e terem sido feitas “oito pré-marcações para as vivendas” que ainda não estavam desenhadas. Resta saber se os clientes continuam interessados.Segundo o gabinete de arquitectos, o palacete e os jardins seriam restaurados de acordo com a traça original. No palácio ficariam os estúdios artísticos e de recreação, enquanto nos jardins nasceriam estúdios de yoga, tai-chi e meditação. O complexo, construído em três níveis em torno de um jardim interior, incluiria salas para tratamentos de calor, água-lama e relaxamento e, tanto no interior como no exterior, seriam construídas piscinas naturais e de tratamento, ginásios e courts de ténis.Para manter toda a quietude do local, rodeado por uma espessa mata de cedros centenários, não será permitida a circulação automóvel. Os clientes deslocar-se-iam a pé ou a cavalo por caminhos próprios. Depois do se tornar conhecido o grande investimento da Quinta do Marquês, surgiram outros investidores que nos meses seguintes à divulgação sondaram os presidentes de junta e proprietários limítrofes da quinta com a intenção de construir mais zonas de lazer, entre elas um campo de golfe. Projectos que, até ao momento, não tiveram qualquer desenvolvimento.Margarida Trincão
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