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Quartéis com pouca guarnição

Quartéis com pouca guarnição

Após o Verão cessam os grupos de intervenção e a operacionalidade dos bombeiros é reduzida

Durante a época de fogos florestais os quartéis de bombeiros da região tiveram diariamente mais de 200 elementos prontos a intervir. Quando o trabalho destes Grupos de Primeira Intervenção chega ao fim, a operacionalidade vem por aí abaixo.

Edição de 29.09.2004 | Sociedade
Com o fim de mais uma época de incêndios e a desactivação dos Grupos de Primeira Intervenção (GPI), que estiveram ao serviço até 30 de Setembro, a operacionalidade dos bombeiros da região cai drasticamente. Muitos quartéis ficam “desertos” e o socorro é mais demorado porque é preciso chamar os voluntários que estão em casa ou no local de trabalho. Para o coordenador distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), Joaquim Chambel, os GPI são um dispositivo considerado “excepcional” para a época de Verão. E visam garantir uma “rápida intervenção” numa altura em que há um acréscimo de ocorrências, nomeadamente fogos florestais. Acontece que nas restantes épocas existem ocorrências de outro género e, apesar de não serem em tão grande número como os fogos florestais, também merecem uma rápida resposta. O comandante dos Bombeiros Voluntários da Chamusca, Manuel Rufino, baseia-se na sua experiência de muitos anos ao dizer que “os momentos de risco acontecem durante todo o ano”. Tal como Manuel Rufino, o comandante da corporação de Constância é peremptório: “Quando terminam os GPI começam as complicações. É difícil mobilizar as pessoas para ocorrer aos sinistros. Às vezes quando chegamos ao local da ocorrência a situação já está muito complicada e em vez de serem precisos cinco bombeiros são necessários 25. O pior é que há os meios materiais, mas não há ninguém para trabalhar com eles ”, comenta Adelino Gomes. É por isso que os comandantes de corporações da região defendem a criação de uma estrutura, apoiada pelo Estado, do género dos GPI, que assegurasse a primeira intervenção durante todos os dias do ano. Sem isso, reforça o comandante da Chamusca, a capacidade de mobilização e operacionalidade diminui drasticamente”.Para evitar situações complicadas, numa cidade com grandes fontes de risco como as indústrias e a auto-estrada do Norte, os voluntários de Vila Franca de Xira têm cinco elementos em permanência no quartel durante o dia. São profissionais contratados pela corporação e que faziam os transportes de doentes do Hospital de Reynaldo dos Santos. Como o contrato acabou no início do ano, passando a corporação de Castanheira do Ribatejo a fazer os serviços para o hospital, foi decidido manter os bombeiros em causa para assegurar as emergências. Para Pedro Lopes, comandante dos voluntários de Vila Franca, com esta estrutura é possível “responder com mais rapidez e maior eficácia às emergências”. Estes cinco elementos reforçam a capacidade operacional da guarnição normal do quartel, habitualmente de 10 elementos. Mas o comandante avisa que para as coisas funcionarem a cem por cento eram necessários mais cinco bombeiros em permanência.Uma solução deste género, além de resolver os problemas da falta de pessoal, aumentava a qualidade do socorro. “Quando chamamos os bombeiros para uma ocorrência nem sempre aparecem aqueles que têm as melhores qualificações e preparação para resolver o problema. Isto passa tudo por uma questão de qualidade e não de quantidade”, advoga Adelino Gomes. A existência de um grupo em permanência nos quartéis permitia também dar uma maior e melhor formação aos elementos em causa. Só que para instituir uma estrutura destas é preciso pagar aos bombeiros que dela fazem parte. E tem que ser o Estado ou as câmaras a assumir, porque as associações de bombeiros não têm capacidade financeira. Este ano estiveram de serviço diariamente nos quartéis da região mais de 200 bombeiros integrados nos GPI, constituídos por trabalhadores em tempo de férias e estudantes. Cada elemento ganhava 35 euros por 24 horas de serviço. Um dispositivo operacional que podia resolver muitos problemas que surgem noutras alturas do ano de forma mais rápida e eficaz. António Palmeiro
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