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Um pacto de sangue

Um pacto de sangue

Mais de 500 pessoas contribuíram com a sua dádiva, no aniversário da Sangfer

Dar sangue é dar vida. Na sexta-feira, data do décimo aniversário da associação de dadores de sangue da CP e Refer, centenas de pessoas solidarizaram-se com os que sofrem e contribuíam com a sua dádiva no Entroncamento.

Edição de 29.09.2004 | Sociedade
Na sexta-feira, dia 24, o Centro Cultural do Entroncamento transformou-se numa espécie de hospital de campanha. Na data do 10.º aniversário da Sangfer, uma associação de dadores de sangue fundada por trabalhadores da CP, mais de 500 dadores fizeram os exames médicos preliminares para depois se sujeitarem à dádiva de sangue e também, uma significativa percentagem, à recolha de amostras da medula óssea.“Até ao momento já se inscreveram mais 31 dadores”, contava cerca das 10 da manhã Mário Agostinho, da Sangfer. A fila serpenteava ocupando todo o espaço disponível do Centro Cultural do Entroncamento. Primeiro a inscrição, depois um pequeno exame médico, onde se inclui uma análise de hemoglobina e a passagem para a tenda instalada junto ao centro, para a recolha. Por fim, o retorno ao Centro Cultural para uma pequena refeição retemperadora de forças.A Sangfer conta com mais de três mil associados, principalmente do meio ferroviário. Cada vez há mais mulheres a serem dadoras. “Nas mulheres aconselha-se um intervalo de dádiva de, no mínimo, quatro meses, enquanto nos homens é de três meses”, esclarece Mário Agostinho.Lina Limão é um dos exemplos. Reside em Grândola, mas a distância não a impediu de estar no Entroncamento. “Sempre que posso dou sangue e já faço isto há alguns anos”. Também Maria da Paz Portela, do Entroncamento, é dadora habitual desde há dois anos: “Resolvi vir pela experiência, o meu marido era dador, agora ele desistiu e fiquei eu”, conta enquanto a enfermeira lhe desinfectava o braço e colocava o garrote. “Pode continuar a falar, não me faz impressão dar sangue”, dizia.Numa marquesa ao lado, José António Rolo, da mesma cidade, fazia a sua dádiva como se estivesse a descansar numa espreguiçadeira. “Comecei a dar sangue por solidariedade e continuo. Normalmente, faço dádivas três vezes por ano”.A Sangfer, que em 2003, recolheu 2084 unidades de sangue, mais de 20 por cento do que no ano transacto, trabalha directamente com o Centro Nacional de Dadores de Medula Óssea (CEDACE) da Faculdade de Medicina de Lisboa - entidade que gere a base de dados a nível mundial de potenciais dadores. Um registo que contém cerca de 10 milhões de nomes.Número bastante inferior ao dos dadores de sangue por motivos que se prendem, em grande parte, com o desconhecimento de como se faz a recolha. “As pessoas relacionam muitas vezes a medula óssea com a espinal-medula e pensam que a recolha é feita na coluna vertebral, o que é completamente errado”, esclarece Patrícia Pecos, médica espanhola a tirar a especialização em Portugal.A recolha de amostra dos potenciais dadores de medula é feita em moldes idênticos aos utilizados na dádiva de sangue. No entanto, o dador tem de fazer um tratamento nos dias que antecedem a recolha: “Terá de levar três injecções para criar células periféricas e a recolha é feita em Lisboa ou no Porto. É mais difícil por isso, de resto não há qualquer diferença”, adianta Susana Mendonça, também do CEDACE.Por outro lado, qualquer potencial dador que se inscreva deverá ter consciência plena do que está a fazer, porque ele pode ser o único capaz de salvar uma vida. A relação de dadores compatíveis com o doente a necessitar de transplante é de 1 para 10 000.Segundo Patrícia Pecos, o número de potenciais dadores que se inscrevem durante as recolhas de sangue varia de região para região e aumenta quando nessa localidade há alguém que precisa de um transplante de medula. “Nesses casos, gera-se sempre uma onda de solidariedade e há muitos inscritos. De resto, depende da zona”, esclarece a médica. Margarida Trincão
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