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A batalha da polémica

Edição de 10.11.2004 | O poder local aqui tão perto
O monumento alusivo à Batalha de Ourique, situado no centro da vila, junto à Igreja Matriz, é um dos locais mais emblemáticos da freguesia de Vila Chã de Ourique. Inaugurado a 3 de Abril de 1932, este monumento refere-se à batalha com o mesmo nome, que opôs as forças cristãs de D. Afonso Henriques aos mouros, em 25 de Julho de 1139.Diz a história que a batalha se travou num sítio designado pelo nome de “Chãs d’ Oric”, mas os historiadores não são unânimes em dizer que os tais “Chãs d’ Oric” ficassem na região. Há mesmo quem garanta que ficam no Alentejo, na zona de Leiria, e até uma versão que fala de uma terra espanhola com o mesmo nome.Um dos maiores defensores da realização da batalha nos terrenos da actual freguesia de Vila Chã de Ourique foi Vitoriano José César. Este General presidiu à comissão que funcionou junto do arquivo histórico-militar de Lisboa e em 1926 publicou o livro “A Batalha de Ourique”. Foi também o principal impulsionador da construção do monumento.Segundo o General, em fins de Maio de 1139, D. Afonso Henriques partiu de Coimbra para Leiria, onde se lhe juntaram mais forças para combater os Mouros. O objectivo era conquistar o castelo de Santarém (tomado apenas em 1147). As tropas foram por Rio Maior, Alcoentrinho (Alcoentre) e Herêra (Ereira), onde o primeiro rei de Portugal restaurou um pequeno forte, que lhe serviria de refúgio, caso necessitasse de retirar.O mesmo historiador diz que a 24 de Julho desse ano D. Afonso Henriques e as suas tropas pararam em Val da Pinta, onde o monarca assistiu à missa. No dia seguinte dirigiram-se então a Chãs d’ Oric, onde cerca de 13 mil cristãos defrontaram e derrotaram um enorme contingente mouro não especificado mas que alguns textos da altura contabilizam em 120 mil homens.Na noite que antecedeu a batalha, diz a lenda que D. Afonso Henriques terá tido uma visão de Cristo crucificado que lhe anunciara a sua vitória contra os infiéis. Os historiadores são mais cépticos com este alegado milagre e o próprio Vitoriano José César admite que possa ter-se tratado de um fenómeno de auto-sugestão, perfeitamente normal no contexto religioso da época.Com milagre ou sem ele, parece certo que a Batalha de Ourique não teve uma extraordinária importância militar, pois Santarém, como se disse, só foi conquistada oito anos depois. No entanto o monumento alusivo à batalha ali está e é um dos principais monumentos da freguesia, a par do Igreja Matriz, construída em 1888, e do Solar dos Chavões, palácio senhorial construído no século XIV.

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