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Do barracão dos “caramelos” aos encontros com caçadores

Do barracão dos “caramelos” aos encontros com caçadores

Adelino Veríssimo tem 70 anos e é guarda-florestal da herdade das Figueiras
Edição de 08.12.2004 | O poder local aqui tão perto
É guarda-florestal da herdade das Figueiras, na freguesia da Branca, há 46 anos. Adelino Veríssimo já alcançou a fasquia de 70 anos mas mantém o mesmo gosto e entusiasmo pela profissão, no local que o viu nascer.Com um blusão de pele preta, camisa com gravata mal apertada e pullover, além de calças e botas, está feita a sua indumentária “semi-oficial” de guarda-florestal. À cintura, o rádio transmissor serve para efectuar qualquer comunicação que seja necessária com o outro colega que vigia a herdade, ou com a base. Na cabeça basta a boina.Há cerca de três anos Adelino Veríssimo deixou de fazer a patrulha dos extensos hectares da herdade a cavalo e passou a contar com a preciosa ajuda de uma motorizada que nunca o deixou apeado. “A herdade está cheia de portões e torna-se desgastante descer e subir da montada para os abrir e fechar. E ainda tenho outra guardada”, revela.Adelino Veríssimo tem como missão guardar a herdade. Vigia a fauna e flora, o gado e detecta intrusos ou caçadores infractores. De dia ou de noite porque a profissão não tem horários. “Já estou reformado e não precisava de estar aqui. Mas eu gosto do que faço e é a minha vida”, assegura, acrescentando que se trata de uma trabalho para homens. Apesar de durante o tempo em que esteve na tropa ter sido convidado para ingressar na GNR, na Carris e na polícia. Mas eram carreiras muito pouca atractivas, confessa.Os episódios que tem vivido ao longo de 46 anos a vigiar a herdade são muitos e variados. Mas têm sobretudo a ver com encontros com caçadores que vão à procura de coelhos, perdizes, lebres, javalis e raposas.O guarda-florestal anda armado com uma pistola e uma espingarda. Constituem a sua segurança e a forma de fazer o trabalho, tendo já encontrado caçadores a “trabalhar” de noite.Mas o episódio mais engraçado passou-se há décadas. A cerca de quatro quilómetros da casa agrícola, um barracão que serve para acumular feno para alimentar o gado já foi local de dormida para trabalhadores do campo, “os caramelos e as caramelas”.Cerca de meia centena de trabalhadores, bem divididos entre homens e mulheres, vinham anualmente da Figueira da Foz para trabalhar na herdade. Eles a cavar e elas a mondar o arroz. No final da jornada de trabalho ficavam a descansar no barracão mas em locais separados. O que não impedia que os caramelos se juntassem. E há uma história com bolinha vermelha. “Um administrador da altura engraçou com uma caramela e juntaram-se numa cova. Quando estavam a fazer o trabalho principal houve outro caramelo que não gostou do que viu e aviou-lhe com uma pá nos costados”, recorda a gracejar Adelino Veríssimo.Actualmente a época dos trabalhadores sazonais acabou e o barracão está cheio de feno para as vacas.
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