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Comerciantes temem pelos seus negócios

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Câmara dá parecer positivo à instalação da Worten e Sportzone em Tomar

O grupo Modelo Continente vai ampliar as suas instalações em Tomar para a implantação de mais duas marcas do grupo – Worten e Spotzone. A Câmara de Tomar aprovou a viabilidade do projecto mas os comerciantes do sector que têm casa aberta na cidade temem pelo seu futuro.

Edição de 08.12.2004 | Sociedade
“Isto é a machadada final”, desabafa Manuel Alcobia, após ter conhecimento de que a Worten vai implantar-se em Tomar. O proprietário da casa de electrodomésticos Galena, aberta há mais de 30 anos na Praça da República não tem dúvidas – a vinda da loja de electrodomésticos do Modelo vai acabar com os pequenos estabelecimentos que ainda conseguem sobreviver, apesar da crise.Da crise e das opções tomadas pelo executivo camarário. Manuel Alcobia queixa-se que as vendas caíram a pique desde que o presidente decidiu fechar a rua Serpa Pinto ao trânsito.O proprietário da Galena acusa a câmara de estar conivente com os grandes grupos económicos. “Dá ideia de que existe um complô para acabar connosco e empurrar os consumidores do concelho para os centros comerciais”.“Os consumidores não podem trazer os carros para aqui e o parque atrás da câmara nunca mais abre. Lá (onde está o Modelo) há muito estacionamento e gratuito, por isso as pessoas acabam por comprar lá”, diz o comerciante. Uma opinião partilhada por todos os lojistas contactados por O MIRANTE.A verdade é que o facto do grupo de distribuição ter “acenado” à autarquia com a construção de um parque de estacionamento subterrâneo de 500 lugares – que será o maior da cidade – muito contribuiu para a aprovação do projecto de viabilidade por parte do município.De acordo com o projecto de viabilidade apresentado ao executivo camarário, o Modelo Continente pretende alargar o edifício onde está instalado para o actual parque de estacionamento, instalando ali duas lojas, uma de electrodomésticos (Worten) e outra destinada à venda de roupas e acessórios de desporto (Sportzone).O grupo já adquiriu dois terrenos contíguos àquele onde está actualmente instalado o hipermercado Modelo para futuro parque de estacionamento. Além deste, mais pequeno, o Modelo propõe-se ainda construir um outro parque subterrâneo, ficando com uma capacidade de estacionamento de meio milhar de lugares.Em 2002, quando o Modelo Continente solicitou “luz verde” à Direcção-Geral do Comércio e da Concorrência para a implementação destas duas marcas em Tomar, o parecer dado pela Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha (Acitofeba) foi negativo.Uma posição que a Acitofeba continua a manter, apesar de admitir que a sua influência é quase nula nestes processos. “Apenas damos a nossa opinião, o parecer não é vinculativo”, referiu um dos responsáveis da associação.No parecer enviado à Direcção-Geral da Concorrência e Preços, a associação de comerciantes dizia que a instalação da Worten iria prejudicar quarenta micro e pequenas empresas existentes na sua área de abrangência, que empregam 150 pessoas e contribuem anualmente para o desenvolvimento dos seus concelhos através do pagamento de impostos.Além disso, a maioria das empresas realizou investimentos na modernização dos seus estabelecimentos, sem quaisquer apoios governamentais, e não estão em condições de fazer face à concorrência de grandes grupos económicos.Uma situação que também se aplica aos estabelecimentos de venda de artigos de desporto, caça e lazer. Com uma agravante – a Acitofeba acredita que não existe procura suficiente em Tomar para o tipo de produtos comercializados pela Sportzone. Nos três concelhos abrangidos pela associação existiam, há dois anos, apenas sete lojas que se dedicavam à venda de artigos de desporto.Apesar do impacto negativo previsto, a Câmara de Tomar aprovou segunda-feira o projecto de viabilidade para a ampliação do Modelo, indo agora enviar a sua deliberação ao Ministério das Actividades Económicas e do Trabalho.
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