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Imigrantes são concorrentes dos portugueses

Imigrantes são concorrentes dos portugueses

Só 4321 estrangeiros estão recenseados no concelho de Vila Franca de Xira

Os munícipes de Vila Franca de Xira não vêem com bons olhos a concorrência dos imigrantes no trabalho, mas até gostam de conviver com os novos residentes. São conclusões de um estudo que apurou que no concelho existem 4321 estrangeiros recenseados, mas o número de residentes é bem superior.

Edição de 08.12.2004 | Sociedade
A população do concelho de Vila Franca de Xira tem pouco contacto com os imigrantes residentes no concelho, revelando uma atitude positiva face aos aspectos sociais e menos generosa nas questões laborais. Estas são algumas conclusões do estudo de caracterização das comunidades imigrantes radicadas no município realizado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento (IED). O estudo foi apresentado na sexta-feira, nos Paços do Município.De acordo com os Censos de 2001, residiam em Vila Franca de Xira 4.321 cidadãos estrangeiros, dos quais 3.044 africanos, 565 brasileiros, 559 europeus (322 dos quais de países não pertencentes à União Europeia) e 718 de outras nacionalidades. Em 2001, o concelho registou 117.396 habitantes portugueses.A investigação do IED analisou o ponto de vista da população local sobre os imigrantes residentes, bem como as perspectivas destes sobre a localidade de acolhimento e as suas expectativas, vivências, relações de trabalho e laços de sociabilidade.”As atitudes positivas face aos imigrantes são mais pronunciadas nos aspectos sociais - acesso à saúde e aos estudos -, moderadas no acesso à habitação e menos generosas nas oportunidades de trabalho e de progressão na carreira”, salientam os autores do documento.Os ciganos são os mais ignorados: apenas 22 por cento da população os refere como conhecendo-os em locais públicos e 7,4 por cento em relações de trabalho.” Para muitos dos vilafranquenses, os ciganos são a comunidade mais estigmatizada: marginalizada, mas não estrangeira; migrante, mas não imigrante”, salienta o estudo.Os indianos e os cidadãos da Europa de Leste são os que recolhem opiniões mais favoráveis, “talvez porque são mais recentes ou mais discretos ou pela dedicação ao trabalho”. Os africanos são mais conhecidos através dos locais públicos do que a nível de proximidade de vizinhança ou em situação de trabalho.Já os brasileiros têm uma apreciação intermédia, sendo vistos como “simpáticos, mas virtuais competidores no mercado de trabalho”.Outra característica é o pouco contacto entre população local e imigrantes, porque “os locais de residência são distintos e só se cruzam em espaços de mercado ou de comércio”. Embora a população local e as comunidades minoritárias não convivam entre si, “em Vila Franca não se vive uma tensão inter-étnica: naturais e imigrantes não declararam sentir-se mal uns com os outros”.São poucos os vilafranquenses que declaram ter sofrido agressões por parte de imigrantes, registando-se sobretudo agressões verbais: 7,3 por cento dizem ter tido discussões, 7,1 por cento queixam-se de assaltos e 4,5 por cento de ter sido agredidos. Vialonga é a freguesia que mais se destaca em termos de ocorrências registadas pelas autoridades.Por outro lado, 62,5 por cento dos imigrantes dizem que nunca foram discriminados e só 9,2 por cento afirmam ter sido agredidos por alguém desde que estão em Portugal. Os dados da PSP referem que entre 2001 e 2002, a taxa de agressões por estrangeiros foi de 2,8 por 10 mil habitantes e a taxa de agressões sobre estrangeiros foi de 2,2 por 10 mil habitantes.
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