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Levar os filhos para o trabalho

Levar os filhos para o trabalho

Criança de Tomar proibida pelo professor de frequentar o ATL acompanha o pai depois das aulas

O agrupamento escolar Nuno Álvares Pereira e a associação de pais da escola primária de Santo António dizem ter levantado a proibição imposta a uma criança de frequentar o ATL. Mas não comunicaram essa decisão ao pai, que tem sido obrigado a levar o filho para o local de trabalho.

Edição de 08.12.2004 | Sociedade
O pai de Tiago Nunes, a criança que em Março deste ano foi proibida por um professor de frequentar o ATL (Ateliê de Tempos Livres) da escola de Santo António, em Tomar, tem sido obrigado a levar o filho para o seu local de trabalho, uma vez que, acabadas as aulas, não tem onde o deixar. Tiago e o irmão mais novo, Carlos, têm feito companhia ao pai na guarda do parque de campismo de Tomar, desactivado há um ano pela autarquia.António Nunes não se conforma com a situação, adiantando que os filhos continuam a ser penalizados pelo facto de ele ter tido uma desavença com a professora do ATL. “Os meus filhos têm os mesmos direitos que as outras crianças”, refere.Desde meados do ano lectivo passado que Tiago não pode pôr os pés dentro do ATL. E a partir daí António Nunes tem recorrido a todas as instâncias para denunciar esta situação.O agrupamento Nuno Álvares Pereira, a que a escola primária pertence, não mexeu uma palha para alterar a “sentença” de Francisco Pimenta, o coordenador da escola de Santo António.A Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) ouviu os intervenientes no processo de averiguações que instaurou, mas acabou por arquivar o processo. Apesar de admitir haver provas de que realmente a criança tinha sido proibida de frequentar o ATL enquanto o pai não pedisse desculpas à professora.António Nunes continuou a sua luta, escrevendo em último recurso à ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra. A 2 de Dezembro, o gabinete da ministra enviou um ofício à DRELVT, a entidade que arquivou o processo em Agosto, solicitando que esta “providencie informação ao interessado sobre o andamento ou eventual resolução que ao assunto vier a ser dado”.Resta saber se a DRELVT irá reabrir o processo ou comunicar simplesmente à ministra que já apreciou o processo, tendo decidido pelo seu arquivamento, o que deixa novamente tudo na estaca zero.Tiago e o irmão mais novo passam as tardes a jogar com a bola que trazem de casa, depois de fazerem os trabalhos da escola. O problema é quando tem alguma dificuldade nos trabalhos de casa. “Lá no ATL a professora ajudava-nos”.Enquanto agarra a bola com as duas mãos, Tiago confessa que gostava de voltar a brincar com os colegas no recreio, a jogar à bola ou a fazer outras brincadeiras.Questionado novamente por O MIRANTE, a direcção do agrupamento Nuno Álvares afirma que a situação está resolvida e que o Tiago não frequenta o ATL este ano lectivo porque o pai não manifestou interesse.“Quem está este ano à frente do ATL é a associação de pais, que fez uma reunião a dar conta da aberturas das inscrições, reunião à qual o pai de Tiago não compareceu”, refere Ana Paula Baptista, adiantando que o que passou, passou.“Estamos em outro ano lectivo, a situação foi gerado no ano lectivo anterior e António Nunes só tinha de contactar o agrupamento ou a associação para saber das inscrições”, refere por seu lado Francelina Cabral, presidente da associação de pais.António Nunes tem contudo outra versão. Diz que se lhe comunicaram que o filho estava proibido de frequentar o ATL também lhe tinham de comunicar que a questão estava já ultrapassada, até porque a professora com quem teve o “desaguisado” já nem sequer lá trabalha.Indignado pelas declarações das responsáveis do agrupamento e da associação de pais, António Nunes diz que não vai às reuniões porque trabalha por turnos e atira: “Se me enviam papéis para casa para pedir dinheiro também me deviam ter enviado um papel a informar-me que as inscrições estavam abertas e que podia já inscrever o Tiago e o irmão, que até agora nunca teve vaga”.E desta vez, segundo Francelina Cabral, até há vagas no ATL. A responsável disse ainda que, a título excepcional, uma vez que as inscrições foram fechadas há muito, e se António Nunes pedir, pode reunir com os restantes membros e equacionar a entrada das crianças no ATL. Mas o pai de Tiago não vai de modas – “de joelhos, só em Fátima, minha senhora”.Margarida Cabeleira
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