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Oposição diz que projecto é megalómano

Oposição diz que projecto é megalómano

Câmara de Torres Novas aprova aldeamento turístico na Brogueira com votos contra da CDU e PSD

Só com a elaboração de um plano de pormenor é que o aldeamento turístico previsto para a zona de Boquilobo pode avançar. Em causa está a construção de mais de seis mil vivendas. A oposição na Câmara de Torres Novas considera o projecto megalómano.

Edição de 08.12.2004 | Sociedade
A maioria socialista na Câmara Municipal de Torres Novas aprovou o pedido de informação prévia sobre a viabilidade de construção do complexo “Boquilobo Golf”, apresentado pela firma espanhola “Terremasa – Terrenos De La Mata SL”, para a zona de Boquilobo, freguesia da Brogueira. Mas os promotores “ponderam seriamente” levar o aldeamento turístico para outra região do país dadas as resistências encontradas por parte da oposição. E esse não é o único entrave. Para o projecto avançar, é necessário que se contornem as restrições impostas pelo Plano Director Municipal. O que passa pela elaboração de um plano de pormenor.O projecto, que começou a ser falado no final do Verão e que O MIRANTE noticiou nas suas edições de 2 e 16 de Setembro, propõe a construção de 6.818 vivendas, vastas e luxuosas zonas de lazer, onde se inclui um campo de golfe, estendendo-se por uma área de 284,23 hectares (2.842.378 metros quadrados). O investimento previsto ascende a aproximadamente um bilião de euros (200 milhões de contos).Para os partidos da oposição trata-se de um projecto megalómano que iria descaracterizar as freguesias de Riachos, Brogueira e Alcorochel e de um modo geral todo o concelho torrejano, uma vez que propõe a criação de “uma nova cidade” com uma população, embora flutuante, de perto de 24 mil habitantes. No censos de 2001 o município de Torres Novas tinha uma população residente de 36.908 habitantes.Para além do impacto ambiental, social, cultural e económico que a vinda de milhares de estrangeiros acarretaria - o público alvo são, sobretudo, pessoas do norte da Europa -, é necessária a elaboração de um plano pormenor que permita a construção numa zona que inclui áreas afectadas à RAN (Reserva Agrícola Nacional) e REN (Reserva Ecológica Nacional), entre outras condicionantes. Na reunião, realizada à porta fechada no dia 2, ficou claro: o projecto só poderá ser concretizado se houver esse tal plano de pormenor.Carlos Tomé da CDU deu um “não” definitivo ao pedido de viabilidade feito pela empresa espanhola da zona de Valência, enquanto João Quaresma, do PSD, poderia ter votado favoravelmente se a maioria so-cialista aceitasse quatro pressupostos.O autarca do PSD propôs uma reunião do executivo com as juntas de freguesia de Riachos, Brogueira e Alcorochel, a discussão e apresentação do projecto com os eleitos da assembleia municipal e a disponibilização do projecto na página da internet da câmara municipal. Defendeu ainda que os trabalhos de elaboração do plano pormenor fossem acompanhados por uma comissão formada por representantes de todas as forças políticas representadas no executivo.Durante esta semana tem havido algumas reuniões com os presidentes de junta e eleitos da assembleia municipal, o que poderá alterar a posição do vereador do PSD numa futura reunião, caso ela seja efectuada. A informação do Departamento de Administração Urbanística da câmara municipal afirma claramente que face às várias classificações da área pretendida para o aldeamento “a pretensão (pedido de viabilidade) não é admissível no âmbito do disposto no Plano Director Municipal em vigor”. Diz também que “para a realização do empreendimento coloca-se à consideração a elaboração de um plano de pormenor da área do território municipal em causa”. Margarida Trincão
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