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Um analfabeto que espalhou rimas de vida

Um analfabeto que espalhou rimas de vida

Aos 86 anos, António Correia Tito lançou livro de memórias
Edição de 15.12.2004 | Cultura e Lazer
“A vida é uma marcha”. Que o diga António Correia Tito que já viveu 86 anos com todas as dificuldades de um homem que não foi menino e que comeu o pão que o diabo amassou. No sábado, 11 de Dezembro, Samora Correia assistiu ao lançamento do seu primeiro livro. A freguesia voltou a homenagear o poeta popular que trocou os bancos da escola pelo cajado e aos oito anos foi guardar gado quando ainda aprendia as primeiras letras.Sem concluir a primeira classe, António Tito tinha consigo a arte de jogar com as palavras. Espalhou rimas de vida em quadras, sextilhas e décimas, algumas delas presentes no livro prefaciado pelo escritor Domingos Lobo.António Tito foi o principal dinamizador das folias do carnaval, das marchas populares e dos primeiros movimentos folclóricos de Samora Correia. A sua primeira marcha carnavalesca data de 1947 e no mesmo ano fundou um rancho folclórico onde se apaixonou por Albertina Rosa Salvador. Foi a mulher da sua vida e já lá vão quase 58 anos de partilha.O animador cultural formado na escola da vida construiu um espólio que orgulha dezenas de familiares e admiradores que participaram na cerimónia de lançamento do livro.No sábado, “António da Mouca”, como é conhecido na terra, cantou, bailou e emocionou-se. A saudade embargou-lhe a voz ao recordar algumas das marchas que criou há quase 50 anos. “Essa é minha”, frisou quando Domingos Lobo deu voz a uma das suas letras.“A Vida é uma Marcha” resultou da vontade dos familiares de António Tito e da atitude dos três netos do animador cultural que desafiaram a Câmara Municipal de Benavente para editar um livro sobre a vida desta figura da cultura e da etnografia samorense. António Tito já deu o seu nome a uma rua de Samora e foi condecorado com a medalha de mérito municipal da Câmara Municipal de Benavente e com a medalha do Foral de Samora Correia.A edição de “A Vida é uma Marcha”, com a chancela da Garrido Artes Gráficas, teve uma primeira edição de 500 exemplares que estão a ser vendidos a cinco euros cada e cuja receita reverte a favor de António Tito. O vereador da cultura da Câmara Municipal de Benavente, Hélio Justino considera que o livro é um registo que perpetua a obra e o trabalho de António Tito e elogiou a colaboração dos netos.Na cerimónia de apresentação um grupo de “moçoilas” que participou nas primeiras marchas há quase 45 anos surpreendeu António Tito cantando e dançando as suas marchas. O octogenário esqueceu a doença e deixou-se contagiar por um ambiente que o fez recordar que a vida é mesmo uma marcha. Nelson Silva Lopes
Um analfabeto que espalhou rimas de vida

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