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Um paraíso junto ao Tejo

Um paraíso junto ao Tejo

Ortiga é uma freguesia onde o Ribatejo se funde com o Alentejo e a Beira Baixa

Ortiga é um pedaço de paraíso à beira Tejo numa zona onde o distrito de Santarém acaba e a Beira e o Alentejo começam. A beleza natural e a gastronomia merecem visita atenta.

Edição de 15.12.2004 | O poder local aqui tão perto
Ortiga estende-se em socalcos e ruas acidentadas pendurada na colina sobranceira ao rio. O Tejo espraia as suas águas calmas na albufeira com o mesmo nome da aldeia, cria praias fluviais e acentua a beleza desta freguesia do concelho de Mação, onde o Ribatejo a Beira Baixa e o Alto Alentejo se unem. Quem circula na estrada nacional a caminho de Mação não imagina a beleza que aquela terra pequena, com o singelo campanário da igreja em evidência, esconde. Ladeiras calcetadas, largos, jardins e fontes em cada recanto. Ortiga, topónimo que os historiadores atribuem a terra de codornizes, é um local onde apetece ir.A freguesia, com cerca de 15 quilómetros quadrados, inclui a aldeia sede e mais dois pequenos povoados, a Estação e a Barragem, criados com a abertura da estação do caminho de ferro e da construção da barragem hidroeléctrica, respectivamente. Segundo o censos de 2001, em Ortiga foram recenseados 644 residentes e 684 eleitores. Trinta por cento da população tem idade inferior a 15 anos, 50 por cento são adultos em idade activa e 20 por cento idosos.Muitos ortiguenses que trocaram a terra natal por outras cidades e vilas regressam aos fins-de-semana e nas férias à pequena aldeia. “O largo fica cheio de carros, há gente por todo o lado”, diz Angelino Dias, o presidente da junta.A freguesia, apesar de pequena e com poucos habitantes, dispõe de equipamentos sociais e serviços que lhe dão grande autonomia. Na escola do primeiro ciclo do ensino básico e no jardim-de-infância não faltam crianças e os mais velhos dispõem do Centro de Dia de Nossa Senhora das Dores, que também oferece apoio domiciliário.No posto médico, instalado no mesmo edifício da junta, a assistência é assegurada por um médico e uma enfermeira. “Não temos tido problemas”, garantem os autarcas da junta. Três elementos que envidam todos os esforços para que a freguesia disponha de todos os equipamentos e serviços sociais necessários.“Também temos multibanco e no início pensámos que não teria muito movimento, mas até a instituição bancária ficou admirada”, diz Afonso Matias, tesoureiro da junta e bancário reformado.Na mesma linha criaram um serviço de correios. “Dantes era muito aborrecido. Se as pessoas precisavam de pagar o telefone ou a luz, de receber a reforma ou enviar uma carta tinham de ir a Mação”, continua o tesoureiro. Mação dista cerca de 10 quilómetros. Há comboios e duas carreiras diárias da rodoviária para a sede de concelho, uma de manhã outra à tarde, mas a cria-ção do posto de correios depressa ganhou a adesão da população.Os seus habitantes sempre estiveram ligados à ferrovia, ao Tejo, à agricultura de subsistência, onde a olivicultura ocupava lugar de destaque. Ainda hoje o azeite de Ortiga tem fama, mas apenas dois dos lagares funcionam - o da cooperativa de olivicultores e um particular.A nível local algumas empresas, a barragem, o pequeno comércio e a restauração empregam alguma mão-de-obra. A maior parte trabalha nas cidades próximas, servidas pela linha férrea. A gastronomia tem fama por estas paragens, onde a matança do porco já não tem a tradição de há algumas décadas, mas deixou as suas receitas. Entre elas os miolos feitos com fígado, rins, miolos e muita febra, as migas fervidas e, principalmente, o peixe de rio. Se a matança já não reúne as famílias vindas de longe, a serração da velha, as quartas-feiras das comadres e dos compadres e o enfeite da fonte de 30 de Abril para 1 de Maio ainda se mantêm. “Fazemos tudo para que não se percam essas tradições”, afirmam os autarcas.A Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga tem um papel fundamental na manutenção destas tradições e o espírito associativo das gentes da freguesia. Tem um rancho folclórico, equipas de futebol sénior e de escolas e um café.Estes usos também funcionam como atractivos turísticos para os visitantes, juntamente com a praia fluvial, o parque de campismo aberto 12 meses por ano, à beira do rio, ou a estrada marginal mesmo ao lado do Tejo.Há inúmeras curiosidades e motivos para visitar Ortiga. O pior é o saneamento básico que apesar de estar instalado há muitos anos, tem um deficiente tratamento de esgotos, com uma ETAR a que os locais chamam “tolans”, por serem tambores de metal semelhantes ao casco do navio que esteve encalhado no Tejo, junto ao Terreiro do Paço em Lisboa. Os arruamentos, principalmente na Estação e na Barragem, deixam alguma coisa a desejar. Mas muito pior do que isso é a estalagem, as vivendas e os bairros da EDP quase ao abandono. Margarida Trincão
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