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Transferência para a Golegã vivida sem euforia

Transferência para a Golegã vivida sem euforia

Pombalinho passou ao lado da decisão da Assembleia da República

No Pombalinho não se sentiram efeitos visíveis da decisão da Assembleia da República, que abre portas à integração da freguesia no concelho da Golegã. Não houve arraial nem foguetes no ar e a população passou completamente à margem do acontecimento.

Edição de 15.12.2004 | Política
A possível integração da freguesia do Pombalinho no concelho da Golegã foi recebida sem grandes euforias pela população. O projecto de lei do CDS/PP foi aprovado no dia 9 na Assembleia da República pelos partidos da coligação governamental, mas na localidade não houve arraial nem foguetes no ar. Talvez porque ainda falte a última palavra, que cabe ao Presidente da República, para a mudança se tornar realidade.“Há muita gente que não sabia de nada sobre isso”, afirmou à nossa reportagem na tarde de sexta-feira o dono da cervejaria Pôr do Sol, no Pombalinho. DiamantinoVieira confirmou que a população passou à margem do assunto e que não houve qualquer manifestação de regozijo na freguesia. Apesar de se confirmar que o lugar de Casal Centeio, dividido entre as freguesias de Azinhaga e Pombalinho, passa agora a pertencer integralmente a esta última freguesia. Uma condição que o Pombalinho exigia e que teve como reverso da medalha a integração da freguesia no concelho da Golegã. “Pombalinho e Casal Centeio em conjunto, nem que a gente tivesse de pertencer ao Porto.Como estava é que não...”, exclama Diamantino Vieira. A transferência para a Golegã é vista com alguma naturalidade pelos habitantes do Pombalinho. Não foi por acaso que a assembleia e a junta de freguesia do Pombalinho deram parecer positivo a estas mudanças. É lá que os jovens vão à escola, há mais facilidade de acesso aos cuidados de saúde básicos. A distância é muito menor do que relativamente a Santarém e há mais afinidades sociais e económicas do que com a capital de distrito. “Esta integração tem vantagens ao nível da proximidade de serviços, como as finanças, por exemplo. Qualquer coisa se trata na Golegã com muito mais rapidez do que em Santarém. Basta comparar o tempo que se gasta nas viagens”, diz João Alentejano, que tem uma das filhas a estudar na vila, seguindo o caminho que a irmã mais velha já havia trilhado. Para este morador do Pombalinho a decisão da Assembleia da República constituiu também uma surpresa. “Desconhecia isso. Vamos esperar agora pelo que o Presidente da República vai dizer”, afirmou. Isso é o que vai fazer também o presidente da Junta de Freguesia do Pombalinho, Joaquim Mateiro (PS), que só não foi também apanhado desprevenido pela decisão porque houve um elemento do CDS/PP que lhe telefonou dois dias antes da decisão do Parlamento. Festa, só depois da eventual promulgação do diploma por Jorge Sampaio. “Agora é como São Tomé: ver para crer!”. Até porque não quer criar falsas expectativas à população nem pôr em causa as boas relações que mantém com a Câmara e Assembleia Municipal de Santarém.Aliás o autarca mostra-se reservado a abordar o assunto. Reconhece que pode ter chegado ao fim uma luta de cerca de três décadas pela integração do lugar vizinho de Casal Centeio na sua freguesia. Mas também lhe custa que o preço a pagar seja deixar o concelho de Santarém “com o qual também temos afinidades”.Joaquim Mateiro sabe que Santarém digeriu muito mal a possível amputação de uma parcela do seu território (ver texto na página ao lado), mas recorda que já há muitos anos que se lutava pela inclusão de Casal Centeio na sua freguesia. A maior parte dos cerca de 300 habitantes do lugar - que fica colado a Pombalinho e a cerca de dois quilómetros de Azinhaga - faz vida no Pombalinho. O próprio presidente da junta viveu lá 21 anos. A secretária da junta e elementos da assembleia da freguesia também lá residem.“A Junta e a Assembleia de Freguesia do Pombalinho só deram parecer favorável à transferência para o concelho da Golegã com a condição de que o Casal Centeio ficasse a pertencer à freguesia”, reforça o autarca.João CalhazSerra do Alecrim fica para a próximaA criação da freguesia de Serra do Alecrim, numa área actualmente pertencente à freguesia de Alcanede (Santarém), podia ter sido discutida e aprovada no pacote que criou novas vilas e cidades e procedeu à alteração dos limites do concelho de Santarém e Golegã. Mas a comissão parlamentar do poder local entendeu que a situação de indefinição política que se vive não era propícia a esse tipo de projectos, por se adivinharem processos eleitorais nos meses mais próximos. Curiosamente, um argumento que não colheu quando se tratou de transferir a freguesia de Pombalinho (Santarém) para o concelho da Golegã.O processo da Serra do Alecrim, que se arrasta há cerca de 15 anos, voltou à ribalta graças a um projecto de lei do deputado do CDS/PP Herculano Gonçalves. A criação de uma freguesia que abranja a zona serrana composta pelas localidades de Valverde, Murteira, Barreirinhas e Pé da Pedreira é uma velha aspiração da população local.Tremês e Vilar de Prazeres sobem a vilaTremês subiu à categoria de vila na quinta-feira, 9 de Dezembro, após votação do plenário da Assembleia da República. Na mesma sessão foi ainda elevada ao mesmo estatuto a localidade de Vilar dos Prazeres, no concelho de Ourém.A elevação de Tremês chegou a estar posta em causa, pois o parecer positivo da Câmara de Santarém só chegou em cima da hora à comissão parlamentar do poder local. O executivo não chegou a pronunciar-se oficialmente sobre o assunto, tendo sido enviado um fax assinado pelo presidente do município, Rui Barreiro (PS), dando garantias de que havia unanimidade na câmara a esse propósito.
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