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Apreensões de droga a subir

Apreensões de droga a subir

Estudo do Instituto da Toxicodependência retrata o Ribatejo como um oásis, mas o tráfico está activo

Os dados emanados do último relatório do Instituto da Droga e da Toxicodependência retratam o distrito de Santarém como um oásis em termos de consumo e tráfico de estupefacientes. Mas as coisas não são tão lineares, diz a polícia.

Edição de 15.12.2004 | Sociedade
As grandes apreensões de droga registadas nas últimas semanas na região indiciam um aumento de tráfico de estupefacientes que colide com a calmaria do ano anterior. Durante 2003 as forças de segurança (PSP, GNR e PJ) que actuam na região apreenderam quantidades de heroína, cocaína, haxixe e liamba que, no conjunto, somam pouco mais de quilo e meio. No mesmo período foram detidos cerca de 150 de consumidores/traficantes e instaurados 230 processos em Tribunal. Um valor insignificante para quem tiver à frente o mapa das drogas e da toxicodependência do país.No ranking das quantidades de drogas apreendidas, Santarém aparece sempre no final do pelotão, comandado por Lisboa, Porto e Setúbal. No que respeita às chamadas drogas duras e contabilizando os 18 distritos de Portugal Continental, Santarém aparece no 12º lugar em termos de consumo e tráfico de heroina (229 gramas) e em nono lugar quando se fala de cocaína (390 gramas).Nas drogas mais leves, a posição não se altera muito. Com 930 gramas de haxixe apreendido em 2003, o distrito figura no 15º lugar da lista estatística, descendo para a 11ª posição quando se fala em liamba.Durante o ano passado foram apreendidos 125 comprimidos de ecstasy, o que relega Santarém para o 12º lugar no consumo e tráfico deste tipo de alucinógenos. Apesar de, como salienta o estudo do Instituto das Drogas e da Toxicodependência, ter sido este um dos distritos com maiores quantidades confiscadas de selos de LSD.Estes números são factuais, mas ao mesmo tempo falaciosos. Porque as detenções abrangem sempre apenas uma franja dos traficantes e consumidores. Santarém pode ter sido um oásis, sim, mas para os que vendem e consomem e continuam a não ser detectados e referenciados pelas forças policiais.O sub-comissário Soares, coordenador das Brigadas de Investigação Criminal do comando da PSP de Santarém, põe o dedo na ferida: “Uma coisa é os consumidores e traficantes conseguirem não ser apanhados, outra é a sua não existência”.Ao contrário do ano passado, 2004 tem sido um ano muito produtivo em termos de apreensões e detenções. Segundo os dados da Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária, que compila as apreensões e detenções feitas pela GNR, PSP e por ela própria numa área de intervenção que abrange a zona norte do distrito de Santarém, já foram apreendidos 21 quilos de haxixe nesta zona, oito no primeiro semestre e 13 no segundo semestre deste ano.Em Santarém e no Cartaxo (sob a alçada da PJ de Lisboa), foram apreendidos 7,5 quilos de liamba, 14 pastilhas de ecstasy, 230 gramas de haxixe, 53 de cocaína e 8,39 de heroína.Até há quatro anos a actuação da PSP e da GNR estava bastante condicionada nesta matéria, uma vez que a Polícia Judiciária centrava em si praticamente todos os poderes. Com a transferência de competências para as forças de segurança que estão em maior proximidade com a comunidade, a situação alterou-se.Mas só há pouco tempo, primeiro com o aparecimento das Brigadas de Investigação Criminal e depois com a sua centralização, em termos de efectivos, os resultados começaram a aparecer.“Até agora só conseguíamos apanhar o pequeno tráfico porque não tínhamos meios humanos para fazer uma maior investigação, mas hoje em dia isso está ultrapassado”, refere o sub-comissário Soares, adiantando que com a centralização das brigadas a polícia ganhou em eficiência.A mesma opinião tem o primeiro-sargento Esteves, do núcleo de investigação criminal – área da droga – do comando territorial de Loures que, desde o ano passado, está encarregue de toda a investigação, detenções e apreensões relativas aos destacamentos de Vila Franca de Xira, Loures e Alenquer.Este departamento já deteve este ano 18 indivíduos por tráfico de droga e aprendeu seis quilos de haxixe, além de uma menor quantidade de heroina, cocaína e comprimidos de ecstasy.Quantidades pequenas que o primeiro-sargento Esteves justifica pelo facto da proximidade da sua área de intervenção com Lisboa, o grande hipermercado da droga. “O traficante de Santarém vai uma ou duas vezes por mês a Lisboa, o de Vila Franca de Xira ou de Loures vai todos os dias se for preciso”.De realçar ainda que a maior parte das detenções e apreensões efectuadas pelo núcleo de investigação criminal de Loures foram feitas na zona de Vila Franca de Xira, um mercado considerado “muito activo”.Apesar da falta de meios operacionais com que se debatem, as polícias são unânimes em afirmar que a luta contra a droga é a prioridade. Para que o Ribatejo não seja confundido com um oásis no que respeita ao consumo e tráfico de droga.Margarida Cabeleira
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