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A reserva natural ali tão perto

A reserva natural ali tão perto

Aldeamento turístico em Boquilobo, Torres Novas, levanta dúvidas a ambientalistas

O presidente da Liga para a Protecção da Natureza teme as consequências da construção de um mega aldeamento turístico junto ao Paul do Boquilobo e diz que um projecto dessa natureza poderá obrigar à realização de um estudo de impacte ambiental.

Edição de 22.12.2004 | Sociedade
O aldeamento turístico projectado para Boquilobo, na freguesia de Brogueira (Torres Novas), levanta sérias dúvidas ao nível ambiental. A sua proximidade com a Reserva Natural do Paul de Boquilobo, classificada como uma reserva da bioesfera, pela UNESCO traz problemas acrescidos.José Alho, presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) disse a O MIRANTE que um projecto desta grandeza - com a construção de 6.818 fogos numa área de 284 hectares - pode requerer por imperativo legal um estudo de impacto ambiental.“Só conheço o projecto pelo que tem sido publicado na comunicação social e só nessa base posso dar a minha opinião”, esclareceu José Alho, acrescentando no entanto que o Paul de Boquilobo, classificado pela Unesco como reserva da biosfera, é uma área de grande sensibilidade. “Do ponto de vista económico e social o investimento é extremamente atractivo, mas a sua proximidade com o Paul causa alguma apreensão”, continua. O Paul de Boquilobo situa-se na sua totalidade na freguesia de Azinhaga. Apenas a sede da reserva se encontra no concelho de Torres Novas. Mas os limites da reserva e a criação de uma zona de protecção mais alargada, actualmente em discussão pública (a consulta pode ser feita no site do Instituto de Conservação da Natureza – www.icn.pt), faz com que a área protegida se estenda para o município torrejano. A planta de localização anexa ao pedido de viabilidade apresentado à Câmara de Torres Novas pelos investidores, o grupo “Terrenos de La Mata, S,L.”, abrange o Vale Escuro, ou Vale da Negra, que poderá ficar incluído ou no limite desse alargamento. Por outro lado, a maior parte dos 284 hectares necessários ao empreendimento estão incluídos em zona de Reserva Ecológica Nacional (REN), onde é proibida qualquer edificação, e Reserva Agrícola Nacional (RAN), com grandes restrições a novas edificações. Na conferência de imprensa promovida pela Câmara de Torres Novas, Pedro Lobo Antunes, vereador socialista responsável pelo Departamento de Administração Urbanística, afirmou que esta zona foi excluída da REN na proposta de revisão do Plano Director Municipal (PDM).A revisão do PDM é um processo moroso que se prolongará até 2006. Para obviar esta demora os investidores irão elaborar um plano de pormenor. “Que continua a ser um processo moroso e não pode contrariar o estipulado no Plano Director Municipal”, contrapõe José Alho.Apesar do assunto ser melindroso, José Alho só pode expressar uma posição definitiva quando tiver conhecimento de todo o projecto. “Temos de saber a qualidade da construção, a forma como serão implantados os sistemas de água e saneamento, o tratamento dos efluentes e onde se localizam as edificações. Acredito que os investidores têm conhecimentos técnicos e legais, mas estamos a falar de uma urbanização que quase rivaliza com a cidade de Torres Novas em número de habitantes”, concluiu.Margarida Trincão
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