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Doentes de esclerose múltipla vão ter mais apoio

Santarém vai ter um núcleo para apoiar os pacientes e as suas famílias

Os doentes de esclerose múltipla vão ter em breve um núcleo de apoio na região de Santarém. A doença, pouco conhecida mas altamente incapacitante, torna os pacientes muito dependentes do auxílio de terceiros.

Edição de 22.12.2004 | Sociedade
Um grupo de doentes com esclerose múltipla e seus familiares está a criar em Santarém um núcleo da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) que pretende apoiar todos os que, directa ou indirectamente, sofrem com esta doença na região. A esclerose múltipla é uma doença progressivamente incapacitante e que tomou maior visibilidade quando Iordanov, ex-futebolista do Sporting, foi obrigado a acabar a carreira quando descobriu que tinha a doença.A ideia de criar um núcleo começou a ganhar forma há cerca de um mês com a realização do primeiro encontro de doentes com esclerose múltipla da região. A reunião informal realizou-se no dia 12 de Novembro, no Hospital de Santarém, e contou com cerca de meia centena de pessoas.No encontro estiveram também representantes da SPEM, que deixaram algumas ideias e promessas de ajuda na implementação do núcleo em Santarém. Foi criado um grupo informal que tem como missão delinear um plano de acção e desenvolver os contactos necessários à legalização do núcleo. No início de 2005 haverá uma nova reunião entre os participantes.A principal impulsionadora desta ideia é Luísa Moreira, doente de esclerose múltipla há cerca de uma década. “Achei que estava na altura de criar alguma coisa. Actualmente não há um sítio onde as pessoas possam falar sobre a doença e partilhar experiências. Temos de marcar a nossa posição e procurar rentabilizar e partilhar aquilo que existe com outras associações”, esclarece.Luísa Moreira descobriu que sofria de esclerose múltipla há cerca de dez anos e considera que acabou por ter alguma sorte porque a doença é muito difícil de diagnosticar no seu início. Sentia os pés dormentes durante bastante tempo e pensou que fossem problemas na coluna ou uma hérnia discal. Contactou um ortopedista que uns meses antes tinha participado numa acção sobre a doença e que a encaminhou para o Hospital de Santa Maria, onde fez exames e lhe foi diagnosticada a doença.O seu caso não é muito incapacitante. É professora e tem feito uma vida normal mas este ano as coisas começaram a complicar-se. Os surtos ficaram mais próximos e o cansaço acumulado é muito grande. É por isso que sente que esta ideia de criar o núcleo, para si, é também uma espécie de última oportunidade de participar activamente na construção de algo que poderá ajudar muita gente a minorar o sofrimento provocado pela doença.Ainda não há uma ideia concreta do que será a acção do futuro núcleo de Santarém da SPEM. Luísa Moreira explica que em Lisboa já se criou um centro de apoio com gabinete de aconselhamento jurídico, apoio psicológico, centro de convívio e zona destinada a tratamentos de fisioterapia. Além do apoio domiciliário, fundamental a quem não tem muito apoio familiar. “Tudo vai depender das necessidades das pessoas”, adianta.Uma das primeiras dificuldades do núcleo será encontrar um espaço para se instalar. Para já vão contando com a colaboração do Hospital de Santarém e da Liga dos Amigos do Hospital. Sem morada social, os contactos com a comissão para a instalação do núcleo são feitos apenas através do telefone 91 821 05 33.

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