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Fez-se luz numa vida negra

Fez-se luz numa vida negra

Reformado que viveu 60 anos sem luz eléctrica recebe casa nova na Chamusca

António Massa passou anos a sonhar com melhores condições. A desejar que a vida deixasse de ser madrasta e lhe trouxesse a luz da esperança. O sonho concretizou-se no sábado quando a Câmara da Chamusca lhe entregou uma casa nova.

Edição de 22.12.2004 | Sociedade
Ao fim de 60 anos de uma vida atulhada de dificuldades, António Antunes Massa já pode fazer o que sempre desejou. Chegar a casa, sentar-se no sofá e ver televisão. Um sonho que a falta de electricidade na degradada casa onde vivia foi adiando ao longo dos anos. No sábado de manhã, os melancólicos olhos do reformado voltaram a brilhar quando a Câmara da Chamusca lhe entregou a chave da sua nova residência. António Massa, de corpo frágil como a sua vida, habitava com a mulher uma casa de renda a cair de podre. Não tinha casa de banho. Luz eléctrica era uma miragem. As velhas telhas deixavam passar o vento e não continham a água. “Só não chovia mais dentro de casa porque andava sempre a arranjar o telhado”, diz com modéstia. “Mesmo assim aguentei lá quarenta anos”, acrescenta humildemente como se fosse uma coisa normal. António Massa vive da reforma, com a qual sustenta a mulher, quase cega, que não tem qualquer fonte de rendimento. “Somos uns infelizes”, repete várias vezes. “Às vezes só me apetecia chorar. Cheguei a pensar matar-me”, desabafa o homem que não tinha coragem de pedir melhores condições. A habitação do tipo T1 (com um quarto), foi construída ao abrigo do projecto de luta contra a pobreza, que financiou outra habitação entregue no mesmo dia à vizinha de António Massa, que vive sozinha e tem igualmente dificuldades económicas. As habitações ficam na freguesia da Carregueira, no Bairro do Chastre, a que os autarcas carinhosamente chamam o condomínio social. A traça típica, as barras amarelas na fachada branca e o cuidado e dedicação investidos na construção são pormenores que fazem com que aquele espaço escape ao aspecto tradicional dos bairros sociais. O terreno, onde existem mais duas moradias sociais, já habitadas, pertence ao município e foi comprado há alguns anos para acabar com uma briga de vizinhos por causa de uma vala que passava na zona. Chastre era o nome do proprietário do terreno adquirido pela câmara por 3.500 contos (cerca de 17.500 euros)Na construção das habitações participaram pessoas abrangidas pelo projecto de luta contra a pobreza, pessoas inscritas no Centro de Emprego de Torres Novas e incluídas nos programas ocupacionais de desempregados. Uma corrente solidária que passou também pela utilização de materiais provenientes das campanhas de solidariedade realizadas após os grandes incêndios de 2003.Para haver uma responsabilização dos habitantes, a autarquia vai cobrar uma renda simbólica de 15 euros. As mobílias e a televisão, que é o encanto de António Massa, também foram oferecidas.O presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho (CDU), lembrou que na freguesia vizinha de Pinheiro Grande estão a ser feitas outras três intervenções para alojar famílias carenciadas. As obras devem estar concluídas em Fevereiro. Recorde-se que a construção de habitações sociais e reconstrução de casas no concelho da Chamusca iniciou-se após os incêndios do Verão de 2003 que devastaram grandes áreas florestais e desalojou várias famílias. As ajudas que o município recebeu permitiram “acreditar que vale a pena lutar”, concluiu Sérgio Carrinho.
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