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Qualquer dia a ponte cai

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População de Paialvo contra danos causados pela passagem de camiões das obras na Linha do Norte

Pelas ruas estreitas de Paialvo passam diariamente dezenas de camiões carregados de pedra e traves de betão para colocar na Linha do Norte, em requalificação naquela zona. A população anda de cabelos em pé pela impotência dos responsáveis autárquicos em alterar a situação.

Edição de 22.12.2004 | Sociedade
A população de Paialvo, Tomar, está farta de ter as ruas esburacadas, valetas abauladas e o asfalto coberto de terra. O presidente da junta não sabe o que fazer mais e a câmara optou por colocar sinalização a proibir a circulação a veículos com carga superior a 12 toneladas, o que não tem impedido os camiões de passar.Vítor Lourenço é empresário agrícola e tem à sua responsabilidade uma série de terrenos na zona de Paialvo. Para aceder a alguns deles tem de passar por uma estreita e centenária ponte, construída, como diz, para passarem carroças e pouco mais. De há um mês para cá que camiões ao serviço dos empreiteiros da obra de Refer - alguns deles sem matrícula como a nossa reportagem pôde constatar no local - passam inúmeras vezes por dia sobre a ponte, carregados de pedras e outro material, o que deixa o empresário agrícola indignado. “Alguém deve ser responsável por isto”, refere, ao mesmo tempo que a mulher diz já ter medo de passar no local. Medo de que a estrutura da pequena ponte acabe por cair numa altura em que esteja ela própria a passar no local.O presidente da junta de freguesia também não sabe o que mais há-de fazer. E acusa a GNR de ser conivente com a situação. “Eles preferem nem aparecer porque sabem que os camiões andam por aqui a desrespeitar a lei”, diz Custódio Ferreira, adiantando que tem feito o possível.“O problema é se um dia destes me chateio, perco a paciência e bloqueio a estrada com o meu carro”, refere, adiantando do alto dos seus 76 anos já não ter idade para aquelas peripécias.A GNR do concelho foi alertada para a questão mas diz não ter uma balança de pesos móvel disponível para confirmar excesso de carga dos camiões. “Sem balanças não há intervenção possível”, referiu ao nosso jornal um dos elementos do destacamento da GNR de Tomar.De acordo com o confirmado por O MIRANTE junto da Brigada de Trânsito de Santarém, neste momento há apenas uma balança móvel de aferição de pesos no distrito. E mesmo que essa balança fosse deslocada para a zona de Paialvo pouco poderia servir.“O veículo pesado tem de estar em patamar e ser pesado em locais onde existam alvéolos (buracos onde se põem os pratos da balança, rodando depois o camião para cima deles). E actualmente só existem alvéolos na zona industrial de Almeirim e em Montalvo (Constância) ”, referiu o capitão Rosa.O comandante da BT de Santarém refere no entanto que apesar de não se poder aferir o peso dos camiões, há outras formas de fiscalização, nomeadamente no que respeita aos tacógrafos e à carga mal acondicionada.Faltam soluçõesEm Abril deste ano a Câmara de Tomar decidiu suspender a colocação da sinalização que proibia a circulação a veículos com carga superior a 12 toneladas por lhe ter sido garantido pela Refer, dona da obra, que os empreiteiros contratados para a requalificação da Linha do Norte – o consórcio Bento Pedroso/Somague iriam repor os danos causados pela realização da obra, nomeadamente no que respeita às vias rodoviárias.Na altura o presidente do município afirmou que, de acordo com o director da Linha do Norte, o consórcio tem protocolado, no caderno de encargos, que os prejuízos a terceiros são da sua responsabilidade, assumindo assim os encargos (ou pelo menos parte deles) resultantes dos danos provocados nas estradas do concelho.Só que oito meses depois nada foi feito, levando o executivo municipal a decidir-se pela colocação da sinalização. O vice-presidente da Câmara de Tomar afirmou ao nosso jornal que a câmara quer resolver a bem o problema e que vai marcar uma reunião com o chefe da fiscalização da obra.De acordo com Corvelo de Sousa, o objectivo é que seja a autarquia a definir os itinerários a utilizar pelos camiões, no sentido de não circularem em vias que não têm capacidade para aguentar o peso dos veículos pesados.Enquanto isso, as populações de Paialvo e de outras aldeias do concelho contíguas à linha férrea vão continuar a levar diariamente com dezenas de camiões carregados de pedra.Margarida Cabeleira
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