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Pediatras voltam a falhar

Crianças internadas no Hospital Nossa Senhora da Graça foram transferidas para Torres Novas

As quatro crianças internadas na segunda-feira no Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, foram transferidas para a pediatria do hospital de Torres Novas devido à falta de médicos.

Edição de 29.12.2004 | Sociedade
As camas da pediatria do Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, ficaram vazias na segunda-feira passada. As quatro crianças que nesse dia estavam internadas foram transferidas para o Hospital Rainha Santa Isabel, em Torres Novas, e a urgência pediátrica foi assegurada por um médico de clínica geral. Tudo devido à falta de pediatras na unidade de Tomar.A administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (que abrange as unidades de Abrantes, Tomar e Torres Novas) diz que este foi um caso pontual e que no dia seguinte a situação ficou regularizada. Mas admite que o problema possa surgir mais vezes, como aliás aconteceu no último Verão.A questão, diz um dos administradores do CHMT, deve-se à falta de médicos pediatras. “Temos um total de 18 pediatras para fazer face a três serviços de pediatria, o que é manifestamente pouco”, refere José Josué, adiantando que Tomar é a unidade que tem menos médicos dessa especialidade - apenas quatro - “para um trabalho de sete dias por semana”.É no Verão e na época natalícia que a situação se torna mais complicada, por se encontrarem habitualmente muitos médicos de férias. Apesar de afirmar que este é um problema nacional, José Josué admite que é mais notório na província, já que os médicos preferem ficar junto dos grandes centros urbanos.Mesmo que a administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo S. A., um dos que é gerido de forma empresarial, possa oferecer melhores condições remuneratórias. “Estou neste momento a contratar um médico que estava com vínculo à Administração Regional de Saúde (ARS) e a quem nós oferecemos quase o dobro do que ganhava para se desvincular da função pública”, diz o administrador.O problema é que não é mais um médico, é apenas a regularização contratual de um que já ali presta serviço. Mas a administração do CHMT diz não poder obrigar os médicos a saí-rem de Lisboa ou Coimbra para o norte do Ribatejo.“Por muito que nos esforcemos não conseguimos por vezes colmatar as falhas”, refere o pediatra lisboeta Mário Correia, que diariamente se desloca até ao hospital de Torres Novas para trabalhar. Para fazerem banco, consultas e visita às enfermarias os pediatras do CHMT ultrapassam muitas vezes o seu horário de trabalho. “Estamos todos no limite”, diz.Quando há falhas, elas geralmente acontecem na unidade de Tomar. É a que tem menos pediatras e também, segundo José Josué, a que atende diariamente menos crianças. Mas Tomar é também, de entre os três hospitais que integram o CHMT, o que fica “mais fora de mão”. E, como referiu ao nosso jornal Mário Correia, já que os médicos vêm de longe, preferem fixar-se em Torres Novas e Abrantes, com acessos mais rápidos e fáceis.É por isso que “situações pontuais” de falta de pediatras no hospital da cidade do Nabão irão continuar a registar-se. A maioria das vezes sem prévio aviso.As quatro crianças transferidas para o serviço de internamento pediátrico de Torres Novas, com gastrenterites agudas e dificuldades respiratórias, deverão ter alta antes do final do ano.

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