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Zonas atingidas voltam a tremer no futuro

O alerta deixado por um especialista em Benavente
Edição de 29.12.2004 | Sociedade
Num seminário sobre sismos, em Dezembro de 2003 em Benavente, o especia-lista Mário Lopes avisou que as “zonas já atingidas por sismos no passado voltarão a sê-lo no futuro”. O professor do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico e secretário da Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica acrescenta que os “sismos são fenómenos naturais imprevisíveis e inevitáveis”. Não admira que o Serviço Municipal de Protecção Civil de Benavente distribua folhetos informativos sobre os sismos e os comportamentos a adoptar pela população. Segundo o desdobrável as pessoas devem preparar as habitações de forma a facilitar os movimentos em caso de sismo. Os locais mais seguros, prossegue, são os vãos de porta, cantos das salas, debaixo de mesas, camas ou outras superfícies resistentes. As zonas mais perigosas durante um abalo sísmico são os elevadores, junto a janelas, espelhos, chaminés, no meio das salas e nas saídas. Depois de um terramoto, deve manter a calma, contando com a existência de possíveis réplicas. Não deve fumar, fazer lume e ligar os interruptores. Utilize lanternas. Ligue o rádio a pilhas para ouvir as recomendações, verifique se há feridos e preste os primeiros socorros. Se os feridos estiverem em estado grave não os remova a não ser que corram grande perigo. O folheto termina dizendo para seguir os conselhos da protecção civil e avisando: “Não esqueça – a força do planeta pode ser terrível”. Bombeiros alertam para a falta de planos de emergência para sismos A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) alertou segunda-feira para a “inexistência” de planos de emergência se ocorrer um sismo de grande intensidade em Portugal. Paralelamente apelou à realização urgente de simulacros.“Mais uma vez a ANBP apela para a realização urgente de planos de emergência e de simulacros que permitam a todos os agentes da protecção civil uma maior capacidade de intervenção em caso de emergência e, dessa forma, minimizarem os riscos inerentes a uma situação de grande catástrofe”, afirma a associação num comunicado acerca do maremoto que devastou o sudeste asiático no dia de Natal .A associação defende também a atribuição de meios aos bombeiros para que possam actuar correctamente numa situação de emergência desse tipo.“Apesar de já existir algum trabalho, muito pouco, efectua-do sobre as consequências e as formas de socorro em caso de sismo, os bombeiros portugueses, principalmente os sedeados em zonas consideradas de maior risco, continuam a ignorar como devem actuar devido à inexistência de planos de emergência que indiquem a forma e as zonas onde devem actuar e a articulação que têm de ter com as corporações dos concelhos contíguos e com as forças de segurança”, sublinha a ANBP.A associação dá como exemplo o caso de Lisboa, uma zona considerada crítica, e questiona como poderão actuar as corporações dos concelhos limítrofes no apoio ao Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa devido aos “reduzidos” meios humanos e técnicos para actuar num caso de grande catástrofe.“Não podemos esquecer que, em caso de sismo, várias estruturas designadamente dos bombeiros vão ficar inoperacionais e por isso o socorro às populações têm de ser prestado pelas corporações dos concelhos mais próximo”, argumenta a ANBP.Nesta situação, acrescenta, estão a maioria dos concelhos algarvios, do litoral alentejano e de Lisboa e Vale do Tejo, zonas consideradas mais perigosas.O MIRANTE/LusaAjuda exterior é fundamentalUm dos sismos mais recentes ocorridos na região e sentidos pela população, foi em 1969. Em Santarém teve uma intensidade 6 na escala Mercalli (MMI). Antes, em 1755, a cidade escalabitana registou um abalo de grau 8 MMI. Segundo o comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém, Pedro Carvalho, um dos problemas decorrentes de um sismo é não se conseguir ter forças para se resolver todas as situações. E acrescenta que uma região ou país que sofra um abalo de grande intensidade está dependente de ajuda e intervenção exterior. Seja em Portugal, seja em qualquer outro país. “As forças locais, quer do ponto de vista da comoção psicológica, quer no aspecto dos meios, não estão preparadas. Nem aqui nem em qualquer parte do mundo”, diz Pedro Carvalho, adiantando que as primeiras 72 horas após o sismo são para organização do socorro. A esmagadora maioria das pessoas morre nos primeiros minutos a seguir a um grande terramoto. No entender de Pedro Carvalho, de forma geral os novos edifícios, “se bem construídos”, têm alguma capacidade de resistência a um abalo sísmico. No entanto considera que os quartéis de bombeiros deviam ter outro tipo de construção. Advoga que as instalações dos soldados da paz deviam utilizar materiais leves para evitar a inutilização dos veículos de socorro. Ao contrário de estruturas pesadas de cimento, se uma cobertura de um quartel for feita com chapas leves é possível retirá-las de cima das viaturas. Os radioamadores, acrescenta, são essenciais no apoio ao socorro em caso de terramoto. Já que estes possuem um sistema de comunicação a funcionar permanentemente em todo o mundo.

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