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Sem dinheiro não há milagres

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Treinador José Monteiro faz balanço ao basquetebol de Santarém

Sem dinheiro não há contratações e as equipas seniores do Santarém Basket não vão ter qualquer reforço para a segunda metade das ligas masculina e feminina, pelo menos para já. Quem o diz é o treinador e dirigente José Monteiro que considera que se nos homens o plantel é suficiente, nas senhoras, com mais 15 a 20 mil euros de apoio, a equipa voltava a lutar pelo título.

Edição de 05.01.2005 | Desporto
A equipa sénior masculina de basquetebol de Santarém não vai receber reforços de Inverno. O orçamento não permite qualquer tipo de contratação e o clube dispensou mesmo o búlgaro Veselin Gospodinov, jogador que prometia muito mas que acabou por não se adaptar à liga portuguesa, pelo que foi dispensado na paragem que os campeonatos sofreram durante o período de Natal e Ano Novo.O treinador da equipa, José Monteiro, justifica esta dispensa pelo baixo rendimento do jogador e refere que o clube não vai contratar nenhum atleta para o substituir porque não há dinheiro para isso. “Não podemos ir mais longe sob pena de estoirarmos financeiramente por excesso de ambição”, referiu o técnico em declarações ao nosso jornal. No entanto o responsável garante que os restantes jogadores têm os salários em dia e acredita que o orçamento é suficiente para equilibrar as contas até final da época.Analisando estes primeiros meses de experiência na liga profissional, o treinador considera que a equipa está a corresponder àquilo que esperava. Com o orçamento mais baixo da prova, já leva três vitórias e está no décimo lugar, acima de equipas como o CAB Madeira e o Barreirense, que têm orçamentos superiores e que lhes permitem procurar novas soluções.“Dificilmente a realidade podia ser melhor que esta. O nosso orçamento é um terço da equipa que vem a seguir a nós”, refere Monteiro, consciente que a equipa tem mais rendimento porque também está a jogar sem pressão.Com um subsídio de 50 mil euros da autarquia e 25 mil euros da empresa Unicer, que patrocina as camisolas através da marca Vitalis, a equipa escalabitana não pode competir com formações como o Queluz, que segundo José Monteiro recebe 400 mil euros da Câmara de Sintra, ou como Benfica e Porto que têm orçamentos ainda maiores. “O CAB, que está atrás de nós, entre entradas e saídas, já movimentou mais de dez jogadores desde o início da época”, exemplifica.Embora gostasse de ter as armas que os outros clubes têm, o treinador não desanima e vira-se para onde pode. “O nosso campo de recrutamento é a Proliga e é ai que temos de ir buscar os nossos reforços para mantermos a equipa competitiva na próxima época”. Apesar da Câmara de Santarém dar menos que outros municípios, Monteiro agradece o esforço e reafirma que sem a autarquia nem sequer dava para iniciar a época. “Mas a relação custo - promoção da cidade tem sido muito favorável para Santarém”, conclui.Equipa masculina não está a matar a femininaSe a equipa masculina está a cumprir os objectivos delineados no início da época, a equipa feminina, actual campeã nacional, está bem longe da forma dos anos anteriores. Ocupa actualmente a sétima posição a seis pontos do GDESSA Barreiro.Desmentindo uma ideia muito comentada nos meios desportivos da cidade, José Monteiro afirma que esta classificação da equipa feminina nada tem a ver com a criação da equipa sénior. “É falso que o basquetebol masculino esteja a acabar com o feminino. A Câmara deu 50 mil euros ao masculino e 30 mil para o feminino. Mas se não houvesse masculino aquele valor não ia para o feminino. Não tem nada uma coisa a ver com a outra”, diz peremptório, recordando que a equipa é a única formação da Liga Feminina que não tem actualmente nenhuma estrangeira.A grande diferença é a falta de apoio do sector privado, uma vez que a equipa este ano não conseguiu encontrar patrocinador, apesar de ser a campeã nacional. “Estamos a discutir 15 ou 20 mil euros. Com esses «trocos» continuávamos a discutir o título”, garante o responsável do Santarém Basket.“Ainda estamos a tempo. O campeonato recomeça dia 15 e estamos a tempo de ir buscar os reforços que nos faltam. Tenho os meios desportivos aptos para amanhã estarem em Santarém mas enquanto o «carro» não tiver «gasolina» não dou à chave”, diz em forma de metáfora.Recorde-se que a Liga Feminina de basquetebol é decidida no sistema de play-offs, sendo apurados para essa fase os oito primeiros classificados. Monteiro acredita que com a contratação de duas estrangeiras e de duas portuguesas de nível para os quatro meses que restam de época (para o que são necessários os tais 15 a 20 mil euros), o Santarém Basket iria discutir o título nacional.Se isso não acontecer, dificilmente a equipa passará da primeira ou segunda ronda dos play-offs, perdendo a hegemonia do basquetebol feminino em Portugal. “É com muito pesar meu que vejo esfumar-se aquilo em que Santarém era melhor que todos os outros, que era o basquetebol feminino”, conclui em jeito de desabafo.
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