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A vidreira com o telefone 340

Carlos Silva apela à preservação da loja de Vila Franca de Xira
Edição de 05.01.2005 | Economia
É uma das casas mais antigas de Vila Franca de Xira, situada junto ao mercado municipal, num velho e degradado edifício, considerado de interesse municipal. O mesmo edifício que albergou, em tempos, a sede da concelhia do Partido Socialista.Fundada há 51 anos por Júlio Sabino e José Duarte Inácio, conhecido por “Zé Barbeiro”, já foi procurada por clientes de toda a região, que sabiam ali encontrar as soluções para trabalhos mais específicos e raros.Explorada hoje por Carlos Silva, antigo funcionário que reparte a gerência com mais dois sócios, a Vidreira Vilafranquense corre o risco de fechar as portas porque o prédio no qual é inquilina foi recentemente vendido, tendo o novo dono a intenção de transformar o edifício num bloco de apartamentos.Uma situação que Carlos Silva tenta travar, apelando ao bom senso da câmara. “Somos dos poucos resistentes em Vila Franca e gostaríamos que a cidade se preocupasse em manter este tipo de casas a funcionar”, refere quem preza a tradição.Com 54 anos, Carlos Silva trabalha na Vidreira Vilafranquense desde os 10 anos, nunca conhecendo outro ofício. É especialista no corte e aplicação de vidros, oferecendo também outros produtos aos clientes. Mas os artigos para o lar, as louças e os objectos de decoração não têm actualmente grande procura.Ao longo dos anos muito pouco mudou no estabelecimento. Os dois pequenos balcões de madeira pintada de verde claro levaram apenas uma placa de vidro por cima, as tábuas do chão foram substituídas por linóleo e a máquina registadora é das peças mais modernas ali expostas.No gaveto do prédio onde se situa, a grande placa identificativa é a original. E o que nela mais salta à vista é o número de telefone do estabelecimento. Quando há cinquenta anos a região tinha pouco mais de quatro centenas de números de telefone registados, o da Vidreira Vilafranquense era o 340. Um número que ficou, quanto mais não seja para avivar a memória dos que querem transformar a tradição em inovação.

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