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Bonitas paisagens manchadas pela poluição

Bonitas paisagens manchadas pela poluição

S. Vicente do Paúl, a segunda maior freguesia do concelho de Santarém

É uma freguesia onde se poderia respirar qualidade de vida, não fosse a poluição do rio Alviela e a falta de saneamento básico. São Vicente do Paúl é atravessado pelos principais meios de comunicação e serviços do país: a linha de caminho ferro do norte, auto-estrada do norte e conduta de água que abastece Lisboa.

Edição de 05.01.2005 | O poder local aqui tão perto
As belas paisagens da freguesia são um dos maiores tesouros de S. Vicente do Paúl. Não fosse o mau cheiro que transpira do poluído rio Alviela, que passa pelo território da localidade, e podia-se dizer que aquela zona tinha condições paradisíacas para se viver. Mesmo assim muita gente tem procurado a segunda maior freguesia do concelho de Santarém, em extensão, para ter uma quintinha de férias. Fazer o percurso entre a Estrada Nacional 3 em Torre do Bispo e o centro de S. Vicente do Paúl é um martírio para os amortecedores dos carros. Mas apesar das estradas esburacadas e estreitas, há um manto verde salpicado de oliveiras e vinhas que dá um ar de tranquilidade freguesia. A agricultura é a principal actividade que se desenvolve na localidade. Não há sequer pequenas indústrias no seu território. Mas deviam existir, no entender do presidente da junta de freguesia. Ricardo Costa gostava de cativar empresas para a localidade. Para dar emprego, para criar melhores condições e desenvolver a terra.Cereais, sobretudo o milho, azeite, vinho, tomate, melão e pimento são os principais produtos que saem das férteis terras de S. Vicente do Paúl. Uma freguesia com 47,788 quilómetros quadrados e 2.224 habitantes, a maior parte idosos. S. Vicente do Paúl já foi famoso pelo seu azeite. Chegou a haver dezenas de lagares, que a modernização foi matando. O progresso, no entanto, não chegou ainda a algumas das condições básicas de vida. Em toda a freguesia não há saneamento básico. Os detritos orgânicos vão para fossas sépticas. A nível do abastecimento de água e electricidade passa-se o contrário. A freguesia está servida destes bens praticamente a cem por cento. Em S. Vicente do Paúl parece que tudo fica longe, talvez devido à grande dispersão de habitações. No centro fica o posto médico, o pavilhão desportivo, a casa de convívio, o jardim-de-infância e a junta de freguesia, ao lado do cemitério e da igreja. Deste ponto estendem-se ruas ladeadas de casas como braços de um polvo. Esta freguesia localiza-se entre as estações de caminho de ferro de Vale de Figueira e Mato de Miranda. Faz fronteira com as freguesias de Achete, Alcanhões, Casével, Pernes, Pombalinho e Vale de Figueira. Na sua área situa-se uma pequena aldeia de meia centena de habitantes: Reguengo de Alviela. Um pedaço de terra que se torna famoso quando há cheias na região e que transformam o lugar numa ilhota isolada. Como em quase todas as freguesias marcadamente rurais, há dificuldades em fixar os jovens. Porque estes procuram melhores condições na cidade de Santarém, ou noutras localidades do distrito, ou devido às restrições à construção impostas pelo Plano Director Municipal (PDM).Nos últimos tempos, tem havido um esforço de recuperação de algumas casas degradadas na localidade. Mesmo assim ainda há algumas habitações de traça antiga, que ainda escondem a característica barra amarela, a cair. Em algumas encostas encontram-se quintinhas novas. Casas de férias e fim-de-semana que respeitam a arquitectura tradicional. S. Vicente do Paúl não possui escola do primeiro ciclo. Na área da freguesia estes equipamentos estão instalados em Sobral, Tojosa e Torre do Bispo. O que obriga a junta de freguesia a ter um sistema de transportes escolares para toda a freguesia. A sede de freguesia tem uma farmácia. E é das poucas localidades rurais com um pavilhão desportivo. Está previsto ao longo deste ano colocar um piso de madeira para substituir o de origem, que é de cimento. Está também prevista a recuperação da cobertura.Na área associativa, S. Vicente do Paúl tem duas associa-ções de caça, o rancho folclórico Camponeses de S. Vicente e uma escola de dança. O clube de andebol Sãovicentense é o orgulho da terra. O karaté é outra das actividades desportivas que se desenvolve na localidade. Na área da freguesia não há centro de dia. Mas, através de um acordo, os idosos vão para o centro de dia de Vale de Figueira, que presta também o apoio domiciliário em S. Vicente do Paúl. Segundo o presidente da junta de freguesia, hoje em dia não é fácil construir um equipamento do género.O território da freguesia é também atravessado por importantes infra-estruturas. Pelo manto verde de encostas e vales erguem-se imponentes dezenas de torres metálicas que suportam cabos de alta tensão que levam a energia para Lisboa. É por S. Vicente do Paúl que passa também a conduta da EPAL que abastece a capital de água vinda da barragem do Castelo do Bode. A freguesia tem ainda na sua área a Auto-Estrada n.º 1 (Lisboa – Porto). Para Ricardo Costa a auto-estrada é encarada como um factor de possível desenvolvimento da freguesia, a nível económico sobretudo. Mas para isso era necessário haver um nó de ligação na zona. A freguesia é ainda atravessada pela linha de caminho de ferro do Norte, mas não há nenhuma estação, ou apeadeiro, na sua área.
Bonitas paisagens manchadas pela poluição

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